domingo, 6 de dezembro de 2015

COMO SERIA

Às vezes me pego pensando
Em como seria minha vida
Se tivesse conhecido você
Depois que ambos estivéssemos
Na faculdade.
Certamente seria facultativo
Eu conhecer você; amá-la.
Hoje é obrigatório te amar...
E facultativo te esquecer.
Talvez não teria sido assim...
Talvez sim.
Afinal, como seria?

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

AMORES

Quantos amores encontrei
Quantos amei
Na caminhada
Na estrada
Na vida amada
Nunca repousei
Prefiro voar
Ora como pássaro
Ora como ar
Voar, voar
Amar
Desamar
Viver e saber
Que sem amor não sei saber
O que é
minha vida sem você.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

NEGRITUDE

De uns, os pais.
De outros, avós, tios, primos...
Todos o têm.
Quem não é: também.
Primeiro, segundo, terceiro, quarto 
grau.
De geração em geração o há.
Sempre haverá!
Em qualquer lugar.
Não há quem não o viva, veja; o sinta.
É mais abundante que tudo.
Está no mundo:
atitude
juventude
plenitude.
Negritude. 


 

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

O SENTIDO DE TUDO

O morcego não quer mais doar sangue.
A vaca ficou boa da gripe: não tosse mais.
A galinha tritura a farinha com os dentes afiados.
O Saci, ao invés de cruzar os braços, cruza as pernas em sinal de revolta.
A Jiripoca, vendo a situação, não aguentou: PIOU.
Seu Zé, afoito com a discrepância, engolia sapos.
Sua esposa, Guilhermina, para não lavar as mãos para a situação, sugere: uma mão lava a outra.
O gato, no quintal, comeu a língua do Boi da Cara Preta.
O macaco, sendo penteado por Fulano, meteu os pés pelas mãos: partiu desta para melhor. 
O cachorro da família, com o rabo entre as pernas, pôs logo suas barbas de molho.
A cartomante, disposta, pôs as cartas na mesa,
enquanto Cicrano balbuciava: Mãos à obra.
Beltrano, segurando vela, já sentia dor de cotovelo.
O mesmo gato de seu Zé, que comeu a língua do Boi, devorou a cabeça da Mula, deixando-a sem pé nem cabeça.
Para resolver a situação, só subindo pelas paredes, porque só assim pode-se colocar os pingos nos is. 
O minúsculo cavalo, molhando-se na chuva, roga que lhe tirem de lá, pois lhe seria conveniente banhar com um balde de água fria.
O jogador, molhado no campo pela mesma chuva que molhou o cavalo, pendurar as chuteiras, para secar; mas tira rápido, porque ele joga com as botas que Judas perdeu em seu cafundó, próximo  de onde o vento faz a curva.
Para finalizar, mais fácil que resolver este descaso, é procurar uma agulha no palheiro - ou uma palha no agulheiro.




quinta-feira, 24 de setembro de 2015

LITERALMENTE

Letra preta
Fundo branco.
O branco na preta.
A preta no branco.
A preta do fundo branco.
O branco afunda na preta.
A preta afunda o branco.
O branco da nota preta -
a preta que sai do banco.

NEGATIVO:

Fundo preto
Letra branca.
A branca no preto.
O preto na branca.
O preto do fundo branco.
A branca do fundo preto.
O preto afunda na branca.
A branca dá nota ao preto -
o preto que sai do banco.
Banco que é do branco.
Branco que pega a preta -
a preta que afunda o banco do branco.


É DIFÍCIL

É difícil:

Encontrar sentido na vida - quando pedida.
Perder a vida - quando não se tem.
Ter uma vida - quando não se quer.
Querer algo - quando não se pode.
Poder - sem poder.



sexta-feira, 18 de setembro de 2015

O TAMANHO DO INFINITO

O tamanho do infinito
Não há como saber
Não há medida que meça, não é possível conter.
Não é lícito contar nem permitido viver.
Como ter?

O tamanho do infinito 
Não está em você
Não se pode esconder 
Não se pode ver
Por quê?

O tamanho do infinito
Não está aqui nem ali
Não se sabe, não se saberá
Apenas comparar-se-á
A que?

O tamanho do infinito 
É vou dar-te a conhecer 
Não é pequeno nem grande
Não está vivo nem morto 
É o meu amor por você.
Crê?

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

AMO A QUEM UM DIA AMEI

Hoje amo a quem um dia amei      
Dizer quem é eu mesmo não sei
Se é de hoje, se é de ontem
Só sei que amo em rompante.

O amor que em meu peito branda
Não se justifica em demanda
Seja vivo, seja morto
Se nasce torto morre torto.

Como pode o amor eterno ser,
Se todo ser que nasce tem que morrer?
Amor como esse pode haver?

Não sei quem amo, confesso.
Se a de ontem ou a de hoje.
Mas sei que amo; amo a quem um dia amei.


quarta-feira, 2 de setembro de 2015

MONÓLOGO A DOIS (Parte 3) - O Indubitável Amor

Naquela noite, seu Zé chegou quase às 19:00. Na verdade, ele nem vinha naquele dia, só veio porque dona Zaíra ligou para ele, avisando que eu estava esperando-o. Cheguei em casa por volta das 20:00. Nem me atrevi a pedir que me ajudasse a procurar Luana; de certo, ele não aceitaria.
Fiquei preocupado a noite toda, pensando em como ela estaria; se já estava em casa, se ainda  estava no hospital... Ela não saía da minha cabeça. Acho que tudo aquilo me deixou mais apaixonado por ela.
Na manhã letiva seguinte, quase não consegui me concentrar nas aulas. As disciplinas extatas, cujos os conteúdos são os meus favoritos, não conseguiram me prender tanto quanto Luana. Às vezes, eu ficava, mesmo com os olhos vidrados na lousa, sem perceber o que se passava ao meu redor, me perguntando como eu poderia gostar de  alguém que faz dez anos que não lhe dirijo uma palavra. Era o amor, indubitavelmente.
Mal podeia esperar para que a tarde chegasse. Queria muito ir à praça, para ver se ela já havia melhorado ou mesmo se já estava lá. Tinha certeza que dona Zaíra me daria informações sobre ela. Se ela estivesse lá, aquele seria um ótimo assunto para iniciar um diálogo. E é exatamante o que farei: vou para casa agora, me arrumar bem bonito e me deslocar, no ônibus de sue Zé, até à praça Jão Negro, encontrar-me com minha amada, se ela estiver lá, é claro.

(IN) ESQUECÍVEL

Não há esquecimento
Para aquilo que marca
Seja uma paisagem, uma frase,
Um odor, um amor.

Há tempos o fim veio
Há tempos não o vejo
Há tempos de veraneio
Que não o sei-o.

Ainda o sinto.
Vive em mim este amor varrido, banido
Mas a superação já me é dada.

Da relação, não do sentimento.
Porque ainda o sinto;
O amor, não a relação.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

AQUELES OLHOS DESCONHECIDOS

Eram 08:30 da manhã. Segunda-feira. os dois primeiros horários eram de Materiais de Construção. Eu não poderia faltar. Infelizmente, naquela manhã, tive que levar o carro na oficina, para a correção de algumas avarias que havia identificado ainda naquela semana. Pneus desalinhados, lataria suja, freio falho, eram algumas das características do Gol 1.6, modelo 95 que me fizeram perder, naquele dia, o horário do ônibus. Ele passava, pontualmente, todos os dias, às 06:30, em um ponto de ônibus a duas quadras de minha casa. Quase surtei quando olhei para o relógio do celular e vi que estava marcando 06:45. Fiquei naquela parada por quase 30 minutos, esperando, com esperança, assistir, pelo menos, ao segundo horário daquela aula. Infelizmente não consegui; cheguei ao campus depois das 08:00.
Para minha felicidade, a biblioteca já estava aberta. Não medi esforços em adentrar e, como de costume, sentei em umas das messas daquele lugar e, como que num rompante desesperador, saquei da mochila um notebook, Samsung, modelo RV 415, azul escuro, a fim de escrever algumas prosas em meu blog particular que, devido à divulgação de textos autoriais, ganhou amplo destaque na comunidade estudantil.
Pouco depois do intervalo, aproximadamente às 09:00, notei, em meio ao silêncio discreto daquela mediana área de estudos, sob os leves cliques dos alunos que manejavam com destreza os computadores daquela sala, uma menina sentada em um dos cantos, próximo ao armário porta-mochilas, solitária, em uma mesa redonda, com o rosto literalmente fixado em um livro cujo o assunto parecia bastante atraente, mesmo que sua expressão facial não demonstrasse qualquer reação ao dedilhar as páginas daquela leitura aparentemente monótona.
Saia preta, de cetim; blusa cinza, de algodão, sem mangas; cabelos pretos, lisos e presos com uma piranha cor de rosa; sandálias estilo rasteirinhas, na cor amarelo queimado; pele clara e semblante razoavelmente feliz, com olhos negros, até então desconhecidos. Parecia, em relação às pessoas que ali estavam - incluindo a mim - uma princesa. Era linda. Fiquei tentando, muitas vezes, a ir até ela, perguntar seu nome, mas achei que seria muito escroto fazê-lo. Talvez perguntar qual seu curso seria menos sutil; ou, quem sabe, questioná-la sobre o livro que estava lendo... Oportunidades era o que não faltava para puxar assunto com aquela menina. Mas mantive-me ereto em minha postura de cidadão secundarista, para não levantar rumores sobre heresias ou, para muitos, pedofilia, afinal, ela aparentava ter uns 16 ou 17 anos, ao passo que minha idade já passava dos 20. Cheguei, confesso, a pensar em ir por minha mochila no guarda-volumes, atrás dela, só para ver sua reação, mas me contive, para não provocar mausoléus desnecessários.
Havia algo naquela garota que me deixava intrigado. Talvez a maneira como seus olhos brilhavam ao percorrer as palavras grafadas naquele livro, a maneira como estava sentada: pernas juntas, coluna reta, cabeça levemente reclinada para baixo... Não sei o que mais me chamava a atenção: se a menina, como todas a sua beleza interior diferenciada ou o conteúdo misterioso daquele livro, que, curiosamente, lhe prendia desairosamente.
Passados alguns minutos, chega uma amiga; provavelmente sua irmã, pois a semelhança entre ambas era magnânima. No entanto, aquela, cujo  livro fazia-se como alimento, esbanjava mais beleza e harmonia pelo ambiente. Parecia até um anjo; mas aquela não era uma comparação muito justa de se fazer, afinal, anjos não seriam tão belos quanto ela.
Embora eu quisesse muito falar com ela, e em meu íntimo já tivesse tomado coragem para aquilo, fui impedido, pois sua irmã, como que num furacão impetuoso, a levara consigo para fora da biblioteca. Seu perfume, algo como uma coletânea de rosas frescas, pairava sobre a atmosfera daquela biblioteca. Infelizmente, viverei acreditando que aquela que fez, mesmo que por alguns segundos, meu miocárdio pulsar mais forte, não existe mais entre nós, entre mim, pois jamais terei a oportunidade de vê-la novamente, com aquele livro, aquela roupa, aqueles olhos; olhos desconhecidos. Apenas guardarei aquelas lembranças em minha memória, para mim mesmo, resguardando-as dos curiosos da contemporaneidade. Talvez, pensei, eu publique esta história em meu blog, para que outros possam, assim como eu, conhecer a beleza em pessoa, embora não possam tocá-la, tê-la, vê-la.
      

sábado, 22 de agosto de 2015

FRIO CALOROSO

O ar, mesmo que rarefeito
Triunfa nas esquadrias sujas de minhas janelas.
Não vejo sinais de saída.
O frio é intenso hoje.
Preciso me aquecer.
Não quero morrer.
Pulo a janela ou enfrento a neve na porta?
Farei uma fogueira,
Mesmo no chão frio e molhado tentarei.
Tenho sede de calor.
Tenho fome de fogo.
Preciso de ar.
Ar branco, rosa, azul.
Preciso de ar quente.
Na ausência do calor.
Teu corpo serve.
Vamos juntos nos refrescar no suor um do outro.
Para que nossas vidas salvem-se e vivamos.
Mas, para isso precisas estar aqui.
Venha!
Venha, oh morena minha.
E vivamos este nosso amor caloroso no frio do amanhecer.

A IMPORTÂNCIA DA VIDA

Há quem diga que o mais importante da vida é viver. Outros dizem que a própria vida é o mais importante de tudo e há quem atribua essa característica a Deus.
Estes últimos, porém, denotam-se em razão pelo fato de considerarem Deus o mais importante da vida. Ora, se Ele criou-a, como não poderia ser o mais importante da mesma?
O verdadeiro desfecho que existe epitomizado ante tais palavras restringe-se em redescobrir o real e ininteligível motivo sobre o qual estabelece-se a relação vital humana.
Com remostas descrições, ou mesmo sem distinções, compreendemos que o verdadeiro conceito atribuído à importância da vida recai em, além de Deus é claro, reconhecer a importância que a vida tem.
Viva a vida, importando-se apenas com o importante.

BRIGO POR ELA, BRIGO COM ELE

Quando te vi
Não acreditei;
Quando te olhei
Não falei.
Ele veio e te tirou para dançar.
Eu vos olhava como quem aspirava algo,
Muito triste, eu acho que estava.
Quando cessou a valsa
Veio até mim
Meti-lhe um manotaço na frente;
Ele revidou, pondo-me hercúleo;
Abracei-o e rolamos ao chão de barro frio.
À meia-noite
Tirei-lhe para dançar
E o vagabundo?
Matei-o com uma pedrada nos testículos.

MARESIA

Maresia
Seja no mar, seja no ar.
Maremoto
Seja fraco ou forte
Um amor real seu sinto
É mais forte que o ar
É um terremoto de paixão
Tenho maresia ao te amar, ao te beijar
Sito maremotos ao te ver
Eu te amo, em terremo
Na minha moto
Eu te amo.

MORRO NO MORRO

Morro no morro.
Morro do Alemão.
Se não morro no morro
Morro onde moro
Moro no morro.

COMIDA?

Nem um vintém para comer.
Viver de amor?
Amor não enche barriga de pobre
- Nem de rico! exclamou o poeta.
Arroz, feijão e milho
Mostarda e cat-up
Farinha de trigo ao molho pardo
Sem dinheiro não se compra isso
Sem isso não se come
O que é isso?
É amor?
Posso comê-lo?
- Pode, ela disse. Mas tem que pagar por quilo.
Não tenho um vintém se quer.
Não como há meses.
Mas amo há anos.
- Viva de amor, ela retrucou-me.
Amor não enche barriga de pobre.
Logo, sou pobre.
Porque amo e não como.
Ela também não come.
Não como comida.
Não como bebida.
Mas, a como
Por isso vivo.
Vivo de amor.
Vivo de comê-la.

DE MÃOS DADAS

Nós dois
De mãos dadas
Andando na estrada
Quando de repente chove
E corremos em direção a um abrigo
Porém, como louco, saio e te trago comigo
Nos molhamos, brincamos de mãos dadas na água
Corremos, pulamos como duas crianças sobre as gotas
Dois amantes de mãos dadas, duas pessoas afogadas no amor
Amor verdadeiro e real. Que tudo resiste e suporta; uma vida de sonhos
Uma grande caminhada, lutas, derrotas e vitórias. Prazer em viver e amar.
Assim somos nós. Estamos nós assim, amantes e visíveis, como casal
Que venceu todas as circunstâncias para estarmos aqui, cantando
Encantando, vivendo e aprendendo mais sobre tudo e todos
Tendo a certeza da reciprocidade do amor eterno
Sonhadores sim, mas o somos em certeza
Um sucesso não gerado de nós
Porém daquEle que nos criou
Que nos deu a vida, o ar
Que nos tem em eterno
Tudo para ti eu digo
Em uma só palavra
Oh, minha amada
Sabes disso sim
Mas te digo
Sem agora
Eu te amo
Eu te
Amo

NOSTALGIA CAPITAL

Vejo os outros.
Vejo as outras.
Vejo ambos, juntos, apaixonados
Invejo-os, por não poder igualitar-me
Amo a quem amo.
Peço por fazer
Mas não posso.
Não deixam.
Um dia, creio, poderei.
Fico na esperança de, adiante, fazermos, juntos
Aquilo que, noutros, vejo.

DECLARAÇÃO

O preto dos teus olhos, quando fixam nos meus, tremo como a laranjeira que ascende no inverno.
As tuas mãos, quando tocam as minhas, me faz varejar como as pétalas das rosas ao cair.
Minha vida é tua, a tua é minha. As nossas, como uma, é de Deus.
Eu te amo, como Romeu e te sinto como Julieta.
Não nos vemos, mas nos amamos.
Eu te quero e te tenho. Tu me tens, sempre e sempre.
Teus cabelos, lisos e pretos, invadem meu rosto quando tocamos os lábios.
Teu cheiro, tuas roupas, teu jeito. Tudo isso me encanta; tudo isso me encanta.
Você, linda, me é como um anjo, não caído, porém, ainda lá, no céu do amor.
Nosso amor, único e verdadeiro, vale mais que ouro, prata, zinco ou o titanium de nossos anéis.
Eu te amo, oh minha amada. Eu te amo.
Amo você, sem saber.
Te quero pra sempre, porque amo você.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

VIDA

A vida pode, ou não, ser vivida.
Pode não ser vida, mas não deixará de ser vivida.
O que é, afinal?
Não se sabe o que não é, no entanto, não se pode definir o que é.
Quem sabe o que é?
Ninguém.
Eis a solução:
Viver!
Viver acreditando que se vive mesmo sem saber o que é vida.
Saber o que não se sabe.
Fazer o que não se faz.
Não há como deixar de viver.
Mesmo quando se morre, se vive.
Vive-se em pensamentos, em memórias.
Mas, sobretudo, vive-se sem saber.
Posso não saber viver como vivem os que dizem saber
Mas sei que vivo a vida
A minha vida.
A vida que vivo.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

SAUDOSA IMPERATRIZ

Banhada por águas que não são suas
Visitada por turistas alheios
Suas largas e estreitas ruas 
Despertam atenção e anseios.

Terra de boa morada
De música, dança e teatro
Faz jus à pátria amada
Sem sair de seu esquadro.

Como pode este lugar como descaso ficar?
Quem, de fato, o governará?
Aonde a solução estará?

Houve um tempo que foi feliz
Pois havia uma força motriz:
Nossa saudosa Imperatriz. 


quinta-feira, 13 de agosto de 2015

ESTOU COM SAUDADES DE ME APAIXONAR

Eu estava sentada no sofá do escritório de meu amigo, esperando ele terminar o expediente para irmos para casa juntos, como de costume. De sorte, os assentos, inclusive o que eu estava sentada, ficava em frente a uma janela enorme, de vidro, daqueles que tem aquele efeito que faz com que quem esteja dentro consiga ver quem está fora, mas não o contrário. E foi justamente nesta imensa janela que pude contemplar a beleza dos homens. Eles passavam de um lado para o outro; muitos em ternos, outros esportivos, alguns até mesmo despojados, mas sempre atrelados a alguma coisa.
Havia um em especial, que me chamou a atenção. Ele era alto, branco, cabelos lisos e preto, olhos negros; usava um terno preto com uma gravata de cor vermelho escuro. Falava insistentemente ao celular, gesticulando com as mãos, como se estivesse dando uma bronca em alguém. Parecia furioso, mas, no fundo, aparentava ser uma boa pessoa. Tinha um bom semblante e isso fazia com que a ideia de mocinho fosse mais enfatizada.
Ainda pensei em falar com ele, mas não fui. Fiquei com medo de o expediente do meu amigo acabar e ele não me encontrar em sua sala de espera e, por conta disso, eu perder a carona.
Meu amigo sai.
- Esperou muito tempo?  Indagou ele, dando aquele tradicional sorriso de sarcasmo.
- Não, não; se esperei muito, foi uns 10 minutinhos. Respondi, retribuindo a ironia.
- Ótimo! Vamos?
- Vamos!
Fomos.
Ao chegar em casa, fiquei pensando naquele homem que vi da janela do escritório e na oportunidade que perdi. Eu deveria ter ido falar com ele, pensei. Mas, enfim, já passou. Nunca mais vou vê-lo, acredito. Pra falar a verdade, acho que estou apaixonada por ele. Faz tanto tempo que me apaixonei que nem sei mais como é se apaixonar. Pensando bem, estou com saudades de me apaixonar.
O que é paixão, afinal?
Essa é uma resposta que nem mesmo os mais sábios da antiguidade - e da contemporaneidade - conseguiram responder. Quem dirá eu, uma mera atendente de telemarketing. Mas, nada me impede de expressar minha opinião sobre o assunto. Mas isso é historia suficiente para outra monografia.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

MONÓLOGO A DOIS: (Parte 2) - A decisão.

Hoje é sábado. Passei a semana inteira esperando por este dia. Hoje é o dia em que a coragem me tomou e decidi falar com Luana. Tomara que ela vá hoje. Confesso que ainda sinto muito medo; talvez vergonha. Fico melindroso por temer que nossa amizade possa acabar antes mesmo de começar. Aff! Que amizade?! Nós nunca nos falamos mesmo! Mas hoje estou decidido. Vou falar com ela.
É chegada a hora. Ela já deve estar lá. Quando chegar, não vou perder o foco; vou direto ao assunto. Mas... Primeiro preciso de um assunto. Acho que vou falar sobre a praça, afinal, é o único lugar em comum entre nós. Aquele nome causa risos em qualquer um. Por que diabos alguém colocaria o nome de uma praça tão bonita e frequentada de Jão Negro? Quem foi esse tal de Jão Negro? E por que Negro? Racismo não é crime? E, cá entre nós, é Jão ou João? Não sei se foi burrice ou sarcasmo. Acho que este não é um bom assunto. É melhor eu ir logo, antes que eu perca o ônibus; o único que tem elevador para cadeirantes. É incrível como pode ter só um ônibus com acessibilidade em uma cidade com mais de 30 mil habitantes. Isso é lamentável. Ainda bem que ela não passa por isso, sua família tem carro. Na verdade, carros; todos devidamente adaptados para pessoas como nós. Enfim! Já passa das 17:00, é melhor eu ir andando. (Risos) Que piada sem graça! 
O ônibus se aproxima. É o melhor motorista da linha que está no volante: Seu Zé! Quando ele me vê na parada, nem preciso estender a mão, ele logo para. Seu Zé é um ótimo amigo.
- Boa tarde, Seu Zé!
- Boa tarde, Paulinho! Tudo bem?
- Tudo ótimo. 
- Precisa de uma ajudinha aí com essa máquina?
- Só preciso que me ajude a subir no elevador; o restou, pode deixar comigo.
- Cabra Macho! É assim que eu gosto de ver. Não esqueça dos cintos.
- Cintos de segurança colocados com sucesso, Seu Zé. Pode zarpar! 
- Beleza! Vai para a praça Jão Negro de novo?
- Vou sim, estou encantado com uma de suas frequentadoras.
- Hum... Sei... Cuidado com essas encantadoras, às vezes elas só querem realmente nos encantar.
- Mas essa não, Seu Zé. Ela é especial. É diferente.
- Cadeirante?
- Sim. Respondi, olhando para o chafariz da praça, pela janela do ônibus, para ver se ela já estava lá. 
- Ótimo! Chegamos! Consegue descer?
- Sem dúvidas! Até mais, Seu Zé.
- Até logo, Paulinho. Cuidado, não fique correndo atrás dessas encantadoras (risos).
- (risos).
Nunca pensei que um dia fosse sentir tanto medo em falar com alguém. Mal cheguei na praça e já estou com um enorme frio na barriga. Sem falar nas tremedeiras; pareço mais um esquimó pelado dentro de um iglu. 
Quando olhei pela janela do ônibus, não consegui vê-la. Temo por ela não te vindo hoje. Mas ela sempre vem todos os sábados. Nunca presenciei um sábado que faltasse. Vou procurá-la. Talvez algumas pessoas a tenham visto.
- Boa tarde, dona Zaíra!
- Boa, meu filho.
- A senhora viu a Luana por aqui hoje?
- Quem é Luana, meu anjo?
- Uma menina, cadeirante como eu, cabelos lisos, gosta de usar fones de ouvidos, sempre usa vestido, muitas vezes floridos... A senhora a viu? 
- Ah! Lembrei. Você fala da Luluzinha!
- Luluzinha?
- Sim, ela vem todas as tardes aqui para tomar um suco de caju com biscoitos integrais. 
- Ela veio hoje?!
- Infelizmente não, meu filho. Acredito que ela não virá nos próximos dias, pois está doente.
- Doente?! Como? O que ela tem?
- Não sei ao certo. Quando esteve aqui pela última vez, na quinta-feira, estava muito pálida e tossia bastante.
- Nossa! Eu não sabia disso. Muito obrigado, dona Zaíra.
- Por nada, meu anjo. Tenha uma boa tarde. 
Puxa vida! Ela não veio hoje e ainda por cima está doente. E o pior é que não posso fazer nada. Não sei onde ela mora; só sei que é do outro lado da cidade. Mas não posso ficar aqui parado. Tenho que fazer alguma coisa!
Já sei! Vou esperar o Seu Zé voltar da rota, com certeza ele me levará até lá e me ajudará a encontrar a casa da Luana. Se bem que ele só volta às 18:00. Mas vale à pena esperar. É por uma boa causa.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

BRASIL: sobre ricos e pobres.

Brasil
Terra de rico pobre
Pobre de alegria, saúde, vida...
Alegria verdadeira
Saúde real
Vida vivida.
Brasil
Terra de pobre rico
Rico de espírito, amizades, sabedoria...
Espírito verdadeiro
Amizades reais
Sabedoria vivida.
Brasil
Terra de brasileiros.
Terra de estrangeiros.
Pobres e ricos.
Ricos e pobres.
Quando vai mudar?
O que vai mudar?
Por que vai mudar?
As respostas:
NUNCA!
NADA!
Porque sim; porque é o fim. É o Brasil.
Brasil de ricos, de pobres.

FATO ESTRANHO

Ele não gostava de mulheres; mas também não era gay. Era apenas um observador externo das reações femininas. Gostava de vestir calcinhas, saias e vestidos, mas jamais afirmava ser gay. Até fazia teste de gravidez quando sentia-se inseguro depois de uma relação. Sua convicção era unânime: NÃO SOU GAY!
Certo dia, encontrou-se com uma prima sua, de outra cidade, que não via desde que tinham nove anos de idade. Quando a viu, não a reconheceu, pois estava mais alta, mais bonita; loura, olhos verdes, seios fartos, bunda grande e coxas grossas. Era o modelo perfeito de mulher para os brasileiros. Quando a encontrou, abraçou-a e, mesmo sem querer, sentiu seus mamilos encostando em seus peitos, pois ambos estavam sem sutiã. Diante disso, sentiu uma leve excitação, o que contribuiu bastante para o enaltecimento de sua máxima sobre sua sexualidade.
Depois de algumas horas conversando, ambos perceberam que estavam a sós em casa. Ela, como quem não quer nada, dirigiu-se até o banheiro, a fim de tomar um banho. Ele, como quem quer alguma coisa, a seguiu, fingindo ir fazer xixi. Quando ambos chegaram ao local, depararam-se com o maior paradigma que já haviam presenciado até então: eles eram transgêneros; ele possuía vagina e ela pênis.
Até aquele momento nada de mais havia acontecido entre os primos, no entanto, após aquela descoberta, aconteceu-se a maior acasalação de todos os tempos. Sobre a justificativa, alegam que sentiram-se mais à vontade por serem da mesma orientação sexual, porém, invertida, o que contribuiu para o fato.
De sorte, tudo aconteceu conforme ninguém havia previsto: eles transaram, ela se foi e ele, sugestivamente, mudou seu conceito sobre sua sexualidade.
Tempos depois, desacreditado da realidade, transtornou-se e voltou à estaca zero, afirmando, sobre todas as forças, que não era gay; era "transgênero não assumido".

ESTRANHO

Vivo entre estranhos
Mas não sou estranho.
O que é estranho, afinal?
Não conhecer o novo, talvez.
Tudo o que é novo é estranho.
O céu, o mar, a terra, o ar...
Tudo isso não é estranho
Pois se conhece desde sempre
Acho que estou louco.
Me contradigo um pouco.
Se aquilo que citei
Não é estranho por sua antiguidade,
Logo, as pessoas também não o são
Pois são de muita idade.
Não sou estranho, pois sou pessoa.
Diante disso, descobri, então, o que é realmente o estranho:
EU.
Outra contradição.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

MONÓLOGO A DOIS (Parte 1) - A Indecisão.

Ela estava lá, sentada em sua cadeira de rodas, com aquele vestido florido lindo que deixava suas pernas brancas e lisas visivelmente palpáveis. Era mais um dia corriqueiro na praça Jão Negro.  Ela era linda; pelo menos eu achava isso. Vinha todas as terças, quintas e sábados à praça. Não fazia muita coisa, apenas alimentava os pombos enquanto seus fones de ouvidos impediam qualquer tentativa de um contato verbal que eu tentasse com ela.
Seu nome era Luana. Às vezes, por causa de seu nome, eu gostava de lhe comparar com a lua, por conta de seu brilho  e beleza, que transcendiam a compreensão racional do ser humano. Infelizmente, ela nunca ligou para as frases românticas que que fazia com seu nome. Acho que tenho umas 1000 composições, todas destinas a ela; mas nada adiantou, acho que ela nem lembra de mim. 
Estudamos juntos desde o primário. Comecei a gostar dela desde a professora Pietra fez aquela brincadeira de tentar andar dois passos sem a cadeira de rodas. Ela vinha logo depois de mim, posicionando seus pés delicados próximos aos meus; seus dedos quase tocavam os meus. De repente, ela se desequilibrou e, como num piscar de olhos, caiu em meus braços, como uma princesa cai nos braços de seu príncipe encantado. Eu não tinha me tocado do romanismo até a tia Pietra olhar para nós, naquela posição, e soltar aquele sorrisinho seguido de um "Huuuummm". Foi quando percebi a possibilidade de podermos formar um racionamento. Pena que só tínhamos 7 anos. Não entendíamos muito sobre essa coisa de amor, paixão e tal.
Já se passaram 10 anos. Não estudamos mais na mesma escola. Ela faz Medicina, em uma universidade próximo de sua casa, e eu faço Engenharia de Alimentos, do outro lado da cidade. Nos vemos pouco. Apenas nas terças e sábados, quando nossos horários coincidem com a visita à praça. Desde aquele dia, nunca mais a esqueci. Para minha felicidade, ainda podemos nos ver; mas nunca nos falamos, talvez porque eu nunca tenha tomado a iniciativa. Não sou muito bom com esse tipo de coisa.
Acho que ao invés de tentar falar com ela e estragar tudo, vou continuar vindo aqui, nesta praça cujo nome esquisito - Jão Negro - nos causa comidade, o que poderia ser um assunto a ser puxado caso eu tivesse coragem de iniciar um monólogo a dois com ela. E talvez eu o faça, caso crie coragem.

terça-feira, 16 de junho de 2015

AMANHÃ

Amanhã é outro dia.
Amanhã é outro tempo.
Me vejo e não consigo acreditar que vivo
Vivo ao lado daquela a quem despejo toneladas de amor
Àquela que me soterra de sentimentos excelsos, assisto
Não me imagino sem esta; se este
Este sonho de alegrias, lutas e conquistas
Lutas que prevejo hoje
Conquistas que aspiro amanhã
Porque amanhã, ah!
Amanhã é outro dia.
Amanhã é outro tempo.

SANGUE

O sangue corre nas veias
Nas veias de quem o tem.
Seja vermelho
Seja azul
Seja sangue
Sangue bom.

É TARDE

É tarde
Meus olhos cansam de ler, de escrever
Navego neste mundo virtual
Navego, ainda, em um mar
Mar de amor, mar de amor.
É tarde
Embora esteja cansado
Navego sem medo, pois sei que as águas não afogar-me-ão
As ondas não me submergirão
Os tubarões. Ah! os tubarões...
Estes me comem à medida que escrevo
Quando exponho meus sentimentos
Quando mostro ao mundo a obra que nasci para fazer, para ver.
Peixes não existem nestas águas, nestas ondas.
Navego em mar, rio ou lagoa
Não molho-me em piscina, chuveiro ou bacia d'água
Estou cá eu na rede
A rede mundial.
Estou aqui e já é tarde.
Por isso me desfaço das palavras, das letras
Me despeço e, sem nexo, parto ao porto
Pegar o mar, as ondas, as águas.
Águas que não molham, que não matam a sede.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

NÃO SEI AONDE ESTOU

Não sei aonde estou
Mas sei que estou
N'algum lugar
Onde há ar
Pois posso respirar.
Não sei se estou
Onde estou
Porque sou o que sou
Mas assim sou
Por isso não vou
Pr'algum lugar
Onde eu queira estar.
Daqui me vou
Sem saber a direção
Se hidráulica ou não
À força da mão
Me faço falcão.
Como não saber quem sou, se sou eu quem me sei?
Não posso me saber por inteiro
Pois não foi eu quem me fez.
Àquele que me fez, não na terra, mas no céu, é bendita a honra que se lhe tem.
Ele sim, sabe:
quem sou;
a que estou;
por que estou;
como estou;
aonde estou
e, também, se o carro possui, ou não, direção hidráulica.



quinta-feira, 14 de maio de 2015

"?"

Amor
O que ele é?
Ele existe, embora ninguém o veja
Uns não têm tempo de amar
Já outros amam demais
Há aqueles que fingem amar
Há, também, os que amam fingir
Ninguém ama o amor
O amor ama seus amantes
Eu amo, sou amado
Me amam - no plural
Me ama - singularmente
Não sei o que é
Defino-o como o sinto
Sem palavras
Existe mas não vejo
Não cheiro
Não toco
Não falo
Não como
Não bebo
Não cozinho
Nem tampouco vendo
Só o sinto.

PENSANDO EM VOCÊ

Quando o amor invade o meu ser
E toma o seu lugar
Logo penso e você
Imaginando como está
Por horas esqueço que te conheço
Ao passo que, deste modo, grafo tua biografia
Teus contornos, tuas belezas, teu sorriso, tua nobreza
Tudo isso ponho em livro
Para declarar que por ti vivo
E quando realmente te conhecer
Sinto que não poderei mais viver
Sem te ter aqui comigo.

terça-feira, 12 de maio de 2015

INCREDULIDADE

Mais difícil que encontrar o que não existe é não acreditar em sua inexistência.

POR QUE?

Por que não posso amar quem quero?
Por que o amor não nasce em outrem quando em nós nasce?
Por que ele existe no singular, se somos plural?
Hoje amo e não sou amado.
Talvez porque ainda não externei este amor.
Como externar algo dubitável?
O medo de a amizade descender é maior que a confiança desta ascender.
Vou viver sem amá-la, até que morra este amor em mim.
Ou, ainda, nasça nela este sentimento.
Para isso preciso falar.
Mas não posso: tenho medo de perdê-la.
Volto, portanto, à estaca zero.
Porque não posso amar quem quero.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

DEFERÊNCIA

Como deferir
Aquilo que não posso ter?
Se não posso ter
Não tentarei deferir
Quem defere não difere
Quem difere, defere
Não defenderei meus pensamentos
Pois não posso deferir
A diferença entre ela e ela
A primeira já se foi
A segunda não chegou
Mas, ainda, não posso deferi-la
Quero, mas não posso
Posso mas não quero
Deferir
Diferir

quarta-feira, 6 de maio de 2015

FORMAS

As formas
Os contornos
Todos com suas voltas
Volta a volta e contorna a forma
A forma forma
A volta forma um contorno
Tuas curvas, oh minh'amada
São curvas formadas de voltas
Não volto na forma da curva
Mas as tuas voltas são formosas
Teus cabelos - lindos - voltam
Teus olhos - negros - curvam
Tua boca - gostosa - beija
O beijo que forma uma curva
O sabor do contorno e do amor
Eu te amo
Sem voltas ou curvas.

AMOR E VIDA

Não vivo sem amar
Não amo sem viver
Como buscar o amor,
Se não o faço sem saber?

O amor não é físico, não é vívido
A vida, além de física, é abundante
Nunca deixo de viver enquanto vivo
Nunca deixo de amar enquanto amo

Como posso amar se não tenho amor?
Como não posso viver?
Sem amor não há vida.

Não vivo sem amar
Não amo sem vida
Não vivo sem amor.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

AMEI (?)

Tenho muitos desejos
Um deles é amar
Amo com experiência
Isso é muito contraditório
Pois quem ama com experiência
Nunca amou
Não sabe amar
Eu sei, mesmo sem saber
Um dia amei
Pretérito?
Sim!
Ainda não consegui
Relacionar este verbo a este tempo verbal
Tinha certeza que era amor real
Me enganei
Precipitei a mim
A nós
A ela
Hoje ainda amo
Mas não ela
Um outro alguém
Que não posso ter
Alguém inexperiente
Mas maduro
Tão sábio e perfeito quanto sonhei
Quem é?
Não revelo
Nem mesmo a mim
Pois não sei se posso
Ao menos pensar
Em a este alguém amar
Se é que sei, realmente, o que é isso.



terça-feira, 14 de abril de 2015

NATALÍCIO

Por: Edson Rodrigues Pinheiro

Nascer
Crescer
Reproduzir-se
Envelhecer

Viver
Sobreviver
Comemorar
Celebrar

Cantar
Poetizar
Dedicar

Ao amigo, ao irmão
De mente e coração
Entrego esta canção.

(IN) SABEDORIA

O que eu sei?
Não sei.
Dias e noites vivo
Sem saber o que sei.
Nem sei se vivo.
Não sei se sei viver.
Mas vivo
Vivo sabendo que não sei viver.
Sei viver sem saber.
Saber o que?
Não sei.
Por que?
Não sei.
O que sei?
Não sei.

SE A METODOLOGIA MUDA, O ALUNO (...)

Uns faziam anotações, outros dormiam e uns poucos conversavam, ora sobre o conteúdo lecionado, ora sobre assuntos dispersos. Foi assim o desenvolvimento da última aula de Língua Portuguesa, sobre redação, do professor Fulano. Foi uma aula diferente. Ao invés de livro e/ou slides corriqueiros, assistimos a vídeo-aulas sobre os princípios da boa redação para o ENEM.
Não obstante tenha admoestado sobre o objetivo do ensino médio/técnico prestado aos alunos - prepará-los para o mundo do trabalho (e não para o ENEM) - Fulano insiste em profissionalizar seus educandos a este exame, o que é  bom, para quem gosta.
Apesar de ter tido transcorrência dinâmica, a aula não contou com o interesse assíduo dos alunos, pois o tão maldito sono manteve-se estático, permeando a mente dos estudantes e tirando-lhes a concentração e o afinco ao trabalho prestado. Isso prova, portanto, que a metodologia adotada não influenciou, até então, no melhoramento à atenção por parte dos assistintes.
Resta saber, entretanto, se nas provas seguintes haverá melhorias ao desenvolvimento interior dos alunos. Se isso ocorrer, professor Fulano poderá, garanto, ser indicado ao Prêmio Nobel na categoria Incentivo Miraculoso Ao Educando.

ESTUDO

O estudo vai nos levar
A um melhor lugar
Posso até não entender
E, às vezes, não aprender
Mas, posso estudar.

A vida não é fácil
É necessário ser ágil
Para assim conseguir
Deste modo subsistir
Sem cometer plágio.

Estudarei tão somente
A fim de melhorar a mente
Para dinheiro obter
E, deste modo, bem viver
Estudando sempre.

sábado, 11 de abril de 2015

MUIÉ

Com: Marcelo Costa Nunes

Muié
Em maio
É meió
De Maiô.

MULHER É MELHOR

Mulher é
Melhor que
Molho
Molhado.

Mulher
Molhada
Molha o
Molho.

Mulher
Malhada na
Malha.

Mulher na
Malha fica
Molhada.

LIBERDADE À VIDA

As vigas tremiam, os pilares balançavam, as cadeiras pulavam como se suas pernas fossem reais. Foi assim que começou a grande e catastrófica queda da sala da turma de Edificações do primeiro ano, uma das poucas salas mais bem estruturadas do campus.
Enquanto uns gritavam, outros tiravam as bolsas do lugar; houve quem rasgasse os cadernos. Foi um verdadeiro "Deus nos acuda". Nunca tinha visto tamanha balbúrdia. Foi a maior discrepância às normas da escola já vista em 100 anos. 
Quando cheguei, confesso que achei estranho não encontrar ninguém na sala. Estavam todos na secretaria. Foram cerca de dez homens para conter os 40 alunos que, eufóricos, quebravam tudo quanto viam adiante. O motivo era, misteriosamente, desconhecido. 
Como um bom líder, fui ao encontro da solução para que houvesse, efetivamente, uma sanalização do problema. Demorei bastante para encontrar uma vertente plausível para apresentar às autoridades competentes, a fim de liberar a turma do confinamento, da punição.
Na busca incessante pelo estopim da rebelião, encontrei uma testemunha. Segundo ele, tudo se deu por conta da proibição do professor, aos alunos, de usufruírem do intervalo. Não contente com a situação, começaram a depredar a sala de aula, o que acarretou em denúncia federal. 
De posse dos argumentos de defesa, parti ao ínterim circunstancial da situação. Chegando lá, antes de falar, fui preso por antecipação, identificado como cúmplice e representante da bagunça deferida. Sem ação, e mal  interpretado, fiz justa a interrelação a mim concedida e dei ordem aos companheiros para que continuassem, agora na secretaria, o ato iniciado em sala de aula. Fizemos-lo. 
Depois de algumas noites na prisão, voltamos para casa, para cumprir a suspensão escolar em liberdade. Mais tarde, naquele mesmo ano, fomos condecorados pela ação que deu origem ao movimento que, adiante, seria conhecido como "Diretas Já".
Isso prova, de fato, que atitudes repentinamente consideradas radicais podem trazer benefícios a longo prazo, ora benéficas, ora não.    

AULA BOA, PROFESSOR BOM, METODOLOGIA...

Mesmo gostando de Língua Portuguesa, não obtive êxito ao assistir, sonolento, às aulas do professor Fulano. Sua metodologia é monótona e propensa ao sono. Muitos dormem em sua aula. Ele não vê, o que contribui para o fato.
Como não tenho muita coisa a dizer, pego-me a escrever, ora versos, ora prosas, relevantes sobre a própria aula; ao mesmo tempo exercito meu bom e correto português. Talvez a linguagem metalinguística me faça ficar acordado. É a minha cafeína natural.
De certo, nada tenho a fazer, se não aguardar os 100 minutos desta aula maravilhosa, com este professor excelente a bordo desta metologia melancólica.

terça-feira, 7 de abril de 2015

PARADOXO

Tenho ardor
Tenho louvor
Tenho as ideias
Em furor.
Tenho amor
Tenho a caneta, o papel e a cabeça.
Tenho tudo e não tenho nada.
Tenho a vida em forma de morte.
Não escrevo
Não leio
Tenho tudo e não tenho nada
Meu nada é tudo.
Meu tudo é nada.

PREPARAÇÃO

Um dia eu amei, despreparado.
Hoje não amo mais, mas posso amar
Amarei preparadamente.
Se estou preparado? Não!
Não estarei tão cedo, enquanto durar esta dor.
Dor necessária, dor vital. Dor de amor.
Encontrei um novo amor - perfeito.
Mas não posso amá-lo.
Não estou preparado.

AMOR - ESTRANHO (O COITO)

 O amor é uma coisa estranha. Quando penso que amo, não amo; apenas me apaixono. Agora mesmo, por exemplo, estou apaixonado por uma garota muito mais nova que eu, em idade - em maturidade, ela me surpreende. Mas, o estereótipo da sociedade atual não me permite expressar esse romance. E nem devo; não sou correspondido.
Não obstante ainda não tenha falado a ela sobre este sentimento, anseio por uma resposta positiva, mesmo que imprevisivelmente. Ainda não falei a ela por medo do que possa pensar, dado a nossa diferença etária. Sei que não há limites para o amor e isso me leva a adjetivá-lo como estranho.
Muitas vezes amei, ora correspondido, ora não, mas sempre fiz parte deste universo sentimental. Minha maior relação durara 1,5 anos. Foi fantástica! Depois dessa, até hoje, não mais presenciei a concessão de resposta amorosa. Mas isso não me impede de crer no amor. Acredito veemente em sua existência e, sobretudo, quando verdadeiro, em sua eternidade.
Sobre o caso da menina mais nova que estou gostando, decidi que não vou falar nada sobre; apenas escreverei confinadamente, para mim mesmo, a história deste coito improvável, o que enfatiza, ainda mais, a principal característica atribuída - por mim, exclusivamente - a este ser impalpável, inconcebível, imutável e existente que chamamos de amor.

NOVO SONETO

Novas amizades
Novos amigos
Novas vidas
Novos amores

Novas emoções
Novas paixões
Novas crenças
Novas noções

Como pode tudo novo ser,
Se velho sou e não posso ver?
A ausência das lembranças

Posso tudo
Tudo novo
Novo ser.

INEXISTÊNCIA

O perfeito não existe
E quando existe não pode ser nosso
Encontrei a perfeição
Uma nova emoção
Mas não posso tê-la.

Ela, a mulher perfeita, existe.
Para mim, não existe; não existe para mim.
Eu a quero. Combinamos.
É inteligente, ágil, culta, esperta, sutil.
É mulher. Não é minha.

Nossas idades não combinam.
Nossos pensamentos, objetivos e momentos
Não se paralelam. Ela não existe, para mim. Não existe.

ONDE ELA ESTÁ?

No meio em que estou
Ela não está
Estou entre estranhos
Estranhos amigos
Ela não me é estranha
Embora ainda não a conheça
É amiga
Ela não está aqui
Não está onde estou.

domingo, 5 de abril de 2015

O SABER

Eu sei
Que não sei saber
Sei que não sei
Como saber?
Saber o que?
Não sei
Só sei que ainda sei

quinta-feira, 26 de março de 2015

O AMOR QUE SINTO

O amor que sinto
Assim o sinto:
Quente
Frio
Morno
No forno
Amar nem sempre vem de amor
Pois o amor
Ah! O amor...
O amor que sinto é diferente
Não é como os outros que senti
Porque não eram amores
Se fossem, ainda hoje os sentiria
Era mentira
Elas mentiam
Ela não.
Ela me ama
Com verdade e para a verdade
Nossas vidas cruzaram-se com torpedos
Com mensagens
Mas não tornou-se virtual
Virou um amor
O amor que sinto
Hoje eu vejo
Tenho a certeza que este amor
É amor
Amor real
Nosso amor é real
Não vale só um real
Nosso amor não vende
Não compra
Não dá
Não tem
Não muda
Só cresce
Seja vertical, diagonal ou horizontal
Amor banal
Não é o nosso
Amor que sinto
Amor que quero a vida inteira
O amor de mangabeira
O amor de britadeira
O amor até de poeira
É certo o amor
É certa a paixão
É amor pra vida inteira
O amor que sinto
Não se resume a palavras
Não se dá com ações
Nem se faz com baladas
Esse amor vive
Esse amor
Esse amor
O amor que sinto
Assim o sinto
O sinto como amor

AMOR

Vivo para amar
E desamo ao me amarrar
O amor liberta
O amor aquieta
O poeta

COISAS DE GRÊMIO

Agremiar, delegar, propositar
Efetivar, procurar solucionar
Deixar como está?
Relaxar?
Esforçar! Trabalhar! Melhorar!
É o que penso. Tenso.
Se estou boêmio?
Não! Coisas de grêmio.

quarta-feira, 25 de março de 2015

PAIXÃO

Ela ligeiro passa
Vem e nos engana disfarçando-se de amor
Quem nela cai, jura que o é
É ígnea, irrelevante e adepta do sofisma atual
Nela não há prazer. E há, ineterno.
Confiança não é seu nome
Sua língua é doce, claro
Seu gosto, ou sabor, amargo
Seus frutos são bons, mesmo que fantasiados
Quem se apaixona não sabe o que é amar
É necessário que se ame para estar apaixonado
Só assim o é real
Não se apaixone
Ame e, caso se apaixone, ame primeiro
Seja o amor
Seja o amador
Não seja a paixão nem o apaixonado
A não ser que ame apaixonadamente.

AMOR E PAIXÃO

Amor é diferente de Paixão, 
Paixão é uma coisa passageira,
Mas o amor...
(...) ele existe!

O PRANTO

Não sei se canto ou encanto
Para tanto, não me espanto.
Enxugo o pranto com o manto...
O manto do desencanto - eu não canto. 

CONFUSÃO NO ASSALTO

De tão distante vinha, a fim de refrescar as pupilas levemente dilatadas pelo sangue que outrora, estava a banhar meus calçados, brancos e envelhecidos pelas rochas do sertão cearense.
Ao chegar na capital, eis que um autêntico boêmio anuncia-me um assalto com um garfo como arma. De sorte, minha arma arrancar-lhe-ia a cabeça, se a usasse como devia.
Inocente pela nudez de minha terra, retorqui:
- Roube-me que te mato já!
- Passa o ferro, velhote! Exclamou o solitário.
Felizmente, para minha alegria, no bolso traseiro levava comigo um cachimbo metálico que ganhei, aos 12 anos, de minha bisavó.
Ao entregá-lo, percebi a insatisfação do sujeito e, sem demora, zarpei em direção a delegacia para informar o ocorrido.
Não obstante tenha sido a vítima, jurei a mim mesmo:
- No dia em que sair desta cadeia, pegarei minha espingarda de volta e darei dois tiros, um em cada peito, daquele que, usando de voz de assalto, me encaminhou, sem que eu percebesse, à minha condenação, ainda que inocente.

A-CUSAÇÃO

Não me tomes sem provas, oh insano.
Tenho verdades a te falar, porém tu não as ouve de bom agrado.
Saibas que, apesar dos pesares, não o mato porque é meu filho e, insano como és, me condena sem verdade no que diz.
A vontade é grande; no entanto, sei que não devo.
Então, já que aqui estamos, tomemos uma dose e escrevamos alguns versos, enquanto eu decido se ou não te ceifo já.

O LEILÃO DE LEILA

Vou leiloar a Leila.
Leila, lá.
Vamos leiloar?
Leiloá-la-á?
Leioloá-la-ei.
Leiloa, Leila!

REPENTINAMENTE

Eu canto quando eu canto.
Como quando eu como.
Bebo quando eu bebo.
Acuso quando eu a-cuso.
E faço tudo isso de novo quando eu bebo.

O MUNDO GIRA

Quando giro em excesso, logo fico tonto.
Quando bebo, logo desmaio pela pouca capacidade que tenho de digerir álcool...
Se eu beber e ficar tonto, posso ou não desmaiar, dependendo de quantas doses eu tomei.
Mas, uma cousa é certa: o mundo gira, mas nem por isso ficamos tontos ou paramos de beber por desmaiar.


COISAS DE ALMA

Minh'alma anseia por algo de alma.
Um'alma gêmea, talvez - se isso for coisa de alma.
De corpo e alma, almejo manjar de teus seios.
Mas não posso - não é cousa de alma.

segunda-feira, 23 de março de 2015

PENSANDO EM VOCÊ

Quando o amor invade o meu ser
E toma o seu lugar
Logo penso em você
Imaginando com está
Por hora esqueço que te conheço
Ao passo que, deste modo, grafo tua biografia
Teus contornos, tua beleza
Teu sorriso, tua nobreza
Tudo isso ponho em livro
Para declarar que por ti vivo
E quando realmente te conhecer
Sinto que não poderei mais viver
Sem te ter aqui comigo.

O CASAL

O Sol e a Lua são amantes.
Se amam
Se dão
O Sol trai durante o dia,
Em sua ausência
Não sabendo que ela o vê
Sol, não seja burro!

O FÍGADO

Eu o matei, arranquei-lhe o fígado e comi, ainda cru - lavado em seu sangue.
Sua mãe me pediu, para doar em transplante a quem o requeresse. Eu o doei, ainda em mim.
Fiquei sem fígado.
Morri e revivi.
O comi.
Morri.
Vi.

ESTRANHEZA

O amor de minhas entranhas
Está estranha

A ENTRADA

Só entro quando ela entra
Entro para sacudir
Entro para balançar
Se a música é boa, entro
Se ela está lá dentro, entro
Se quero entrar, entro
Não entro por acaso
O bar é lindo
A pinga é boa
Mas sem ela, nada vale

EU VEJO

Hoje eu vejo
Amanhã verei
Ontem eu vi
O que hoje não vejo mais
Amanhã, não dá pra saber
Eu sei que amo
Mas não vejo este amor com meus olhos
Porque não se vê o sentimento
Mas se sente
Eu o sinto
Nas palavras de meu amigo W.:
"O sinto como amor"