Eu estava sentada no sofá do escritório de meu amigo, esperando ele terminar o expediente para irmos para casa juntos, como de costume. De sorte, os assentos, inclusive o que eu estava sentada, ficava em frente a uma janela enorme, de vidro, daqueles que tem aquele efeito que faz com que quem esteja dentro consiga ver quem está fora, mas não o contrário. E foi justamente nesta imensa janela que pude contemplar a beleza dos homens. Eles passavam de um lado para o outro; muitos em ternos, outros esportivos, alguns até mesmo despojados, mas sempre atrelados a alguma coisa.
Havia um em especial, que me chamou a atenção. Ele era alto, branco, cabelos lisos e preto, olhos negros; usava um terno preto com uma gravata de cor vermelho escuro. Falava insistentemente ao celular, gesticulando com as mãos, como se estivesse dando uma bronca em alguém. Parecia furioso, mas, no fundo, aparentava ser uma boa pessoa. Tinha um bom semblante e isso fazia com que a ideia de mocinho fosse mais enfatizada.
Ainda pensei em falar com ele, mas não fui. Fiquei com medo de o expediente do meu amigo acabar e ele não me encontrar em sua sala de espera e, por conta disso, eu perder a carona.
Meu amigo sai.
- Esperou muito tempo? Indagou ele, dando aquele tradicional sorriso de sarcasmo.
- Não, não; se esperei muito, foi uns 10 minutinhos. Respondi, retribuindo a ironia.
- Ótimo! Vamos?
- Vamos!
Fomos.
Ao chegar em casa, fiquei pensando naquele homem que vi da janela do escritório e na oportunidade que perdi. Eu deveria ter ido falar com ele, pensei. Mas, enfim, já passou. Nunca mais vou vê-lo, acredito. Pra falar a verdade, acho que estou apaixonada por ele. Faz tanto tempo que me apaixonei que nem sei mais como é se apaixonar. Pensando bem, estou com saudades de me apaixonar.
O que é paixão, afinal?
Essa é uma resposta que nem mesmo os mais sábios da antiguidade - e da contemporaneidade - conseguiram responder. Quem dirá eu, uma mera atendente de telemarketing. Mas, nada me impede de expressar minha opinião sobre o assunto. Mas isso é historia suficiente para outra monografia.
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