A sujeira clama
Na lama, o ódio escorre.
A dama, desonrada, morre.
A sujeira, na cama, clama.
A sujeira clama!
O corpo voraz não se satisfaz.
Ele é fugaz, hodierno; eterno.
É sujo, mentecapto. Sagaz!
A ele não é dado limites.
Travessuras? Loucuras!
Foram uma, duas, três, 10!
Satisfação garantida. MENTIRA!
ELE QUER MAIS!
Não se satisfaz.
A sujeira clama, na lama.
O rancor, o furor, o cheiro propagado pelo ventilador. O odor característico da lama, da sujeira interna de anos de promiscuidade individual, solo, suja...
O corpo...
Os corpos...
O espírito. A carne! As vargens... As virgens. O virgem.
Nada traz, nada vem. É profundo o seu mundo. Não contém. Não contem. Não vale a pena. Sua alma é pequena.
A sujeira clama!
Quando termina, sua rima, na cama, põe-se a dormir, sem mentir, curvando-se a um novo amanhã, onde a lama será a sua nova cama. Clama!
Não tem escrúpulos! Se diz de fé.
Mané!
Condenado está!
Ah!
É lícito o ato.
É viável o fato.
A consumação não é pública, até então.
A sujeira, tradicionalmente, ainda clama.
Haverá salvação para o doente?
Diga-se tu a ti mesmo.
"Não há cura para o que não é doença", diziam eles.
Ele, franzino, nunca ouviu. Nunca viu. Nunca sentiu... Apenas fez; fez com as próprias mãos.
Derramou seus filhos... Qualquer espaço lhe servia. Morte estúpida ao crápula, à sua descendência.
Este jaz há anos em si próprio.
Nunca se soube o que se fez.
Ele, por si só, se desfez.
Era sujo, imundo.
Fazia; arrependia... Fazia novamente - na mente. Não mente.
Poente!
A sujeira clama [na lama].
A sujeira clama!
A sujeira, suja, clama!
Sua sujeira clama.