quinta-feira, 26 de março de 2015

O AMOR QUE SINTO

O amor que sinto
Assim o sinto:
Quente
Frio
Morno
No forno
Amar nem sempre vem de amor
Pois o amor
Ah! O amor...
O amor que sinto é diferente
Não é como os outros que senti
Porque não eram amores
Se fossem, ainda hoje os sentiria
Era mentira
Elas mentiam
Ela não.
Ela me ama
Com verdade e para a verdade
Nossas vidas cruzaram-se com torpedos
Com mensagens
Mas não tornou-se virtual
Virou um amor
O amor que sinto
Hoje eu vejo
Tenho a certeza que este amor
É amor
Amor real
Nosso amor é real
Não vale só um real
Nosso amor não vende
Não compra
Não dá
Não tem
Não muda
Só cresce
Seja vertical, diagonal ou horizontal
Amor banal
Não é o nosso
Amor que sinto
Amor que quero a vida inteira
O amor de mangabeira
O amor de britadeira
O amor até de poeira
É certo o amor
É certa a paixão
É amor pra vida inteira
O amor que sinto
Não se resume a palavras
Não se dá com ações
Nem se faz com baladas
Esse amor vive
Esse amor
Esse amor
O amor que sinto
Assim o sinto
O sinto como amor

AMOR

Vivo para amar
E desamo ao me amarrar
O amor liberta
O amor aquieta
O poeta

COISAS DE GRÊMIO

Agremiar, delegar, propositar
Efetivar, procurar solucionar
Deixar como está?
Relaxar?
Esforçar! Trabalhar! Melhorar!
É o que penso. Tenso.
Se estou boêmio?
Não! Coisas de grêmio.

quarta-feira, 25 de março de 2015

PAIXÃO

Ela ligeiro passa
Vem e nos engana disfarçando-se de amor
Quem nela cai, jura que o é
É ígnea, irrelevante e adepta do sofisma atual
Nela não há prazer. E há, ineterno.
Confiança não é seu nome
Sua língua é doce, claro
Seu gosto, ou sabor, amargo
Seus frutos são bons, mesmo que fantasiados
Quem se apaixona não sabe o que é amar
É necessário que se ame para estar apaixonado
Só assim o é real
Não se apaixone
Ame e, caso se apaixone, ame primeiro
Seja o amor
Seja o amador
Não seja a paixão nem o apaixonado
A não ser que ame apaixonadamente.

AMOR E PAIXÃO

Amor é diferente de Paixão, 
Paixão é uma coisa passageira,
Mas o amor...
(...) ele existe!

O PRANTO

Não sei se canto ou encanto
Para tanto, não me espanto.
Enxugo o pranto com o manto...
O manto do desencanto - eu não canto. 

CONFUSÃO NO ASSALTO

De tão distante vinha, a fim de refrescar as pupilas levemente dilatadas pelo sangue que outrora, estava a banhar meus calçados, brancos e envelhecidos pelas rochas do sertão cearense.
Ao chegar na capital, eis que um autêntico boêmio anuncia-me um assalto com um garfo como arma. De sorte, minha arma arrancar-lhe-ia a cabeça, se a usasse como devia.
Inocente pela nudez de minha terra, retorqui:
- Roube-me que te mato já!
- Passa o ferro, velhote! Exclamou o solitário.
Felizmente, para minha alegria, no bolso traseiro levava comigo um cachimbo metálico que ganhei, aos 12 anos, de minha bisavó.
Ao entregá-lo, percebi a insatisfação do sujeito e, sem demora, zarpei em direção a delegacia para informar o ocorrido.
Não obstante tenha sido a vítima, jurei a mim mesmo:
- No dia em que sair desta cadeia, pegarei minha espingarda de volta e darei dois tiros, um em cada peito, daquele que, usando de voz de assalto, me encaminhou, sem que eu percebesse, à minha condenação, ainda que inocente.

A-CUSAÇÃO

Não me tomes sem provas, oh insano.
Tenho verdades a te falar, porém tu não as ouve de bom agrado.
Saibas que, apesar dos pesares, não o mato porque é meu filho e, insano como és, me condena sem verdade no que diz.
A vontade é grande; no entanto, sei que não devo.
Então, já que aqui estamos, tomemos uma dose e escrevamos alguns versos, enquanto eu decido se ou não te ceifo já.

O LEILÃO DE LEILA

Vou leiloar a Leila.
Leila, lá.
Vamos leiloar?
Leiloá-la-á?
Leioloá-la-ei.
Leiloa, Leila!

REPENTINAMENTE

Eu canto quando eu canto.
Como quando eu como.
Bebo quando eu bebo.
Acuso quando eu a-cuso.
E faço tudo isso de novo quando eu bebo.

O MUNDO GIRA

Quando giro em excesso, logo fico tonto.
Quando bebo, logo desmaio pela pouca capacidade que tenho de digerir álcool...
Se eu beber e ficar tonto, posso ou não desmaiar, dependendo de quantas doses eu tomei.
Mas, uma cousa é certa: o mundo gira, mas nem por isso ficamos tontos ou paramos de beber por desmaiar.


COISAS DE ALMA

Minh'alma anseia por algo de alma.
Um'alma gêmea, talvez - se isso for coisa de alma.
De corpo e alma, almejo manjar de teus seios.
Mas não posso - não é cousa de alma.

segunda-feira, 23 de março de 2015

PENSANDO EM VOCÊ

Quando o amor invade o meu ser
E toma o seu lugar
Logo penso em você
Imaginando com está
Por hora esqueço que te conheço
Ao passo que, deste modo, grafo tua biografia
Teus contornos, tua beleza
Teu sorriso, tua nobreza
Tudo isso ponho em livro
Para declarar que por ti vivo
E quando realmente te conhecer
Sinto que não poderei mais viver
Sem te ter aqui comigo.

O CASAL

O Sol e a Lua são amantes.
Se amam
Se dão
O Sol trai durante o dia,
Em sua ausência
Não sabendo que ela o vê
Sol, não seja burro!

O FÍGADO

Eu o matei, arranquei-lhe o fígado e comi, ainda cru - lavado em seu sangue.
Sua mãe me pediu, para doar em transplante a quem o requeresse. Eu o doei, ainda em mim.
Fiquei sem fígado.
Morri e revivi.
O comi.
Morri.
Vi.

ESTRANHEZA

O amor de minhas entranhas
Está estranha

A ENTRADA

Só entro quando ela entra
Entro para sacudir
Entro para balançar
Se a música é boa, entro
Se ela está lá dentro, entro
Se quero entrar, entro
Não entro por acaso
O bar é lindo
A pinga é boa
Mas sem ela, nada vale

EU VEJO

Hoje eu vejo
Amanhã verei
Ontem eu vi
O que hoje não vejo mais
Amanhã, não dá pra saber
Eu sei que amo
Mas não vejo este amor com meus olhos
Porque não se vê o sentimento
Mas se sente
Eu o sinto
Nas palavras de meu amigo W.:
"O sinto como amor"