quinta-feira, 24 de setembro de 2015

LITERALMENTE

Letra preta
Fundo branco.
O branco na preta.
A preta no branco.
A preta do fundo branco.
O branco afunda na preta.
A preta afunda o branco.
O branco da nota preta -
a preta que sai do banco.

NEGATIVO:

Fundo preto
Letra branca.
A branca no preto.
O preto na branca.
O preto do fundo branco.
A branca do fundo preto.
O preto afunda na branca.
A branca dá nota ao preto -
o preto que sai do banco.
Banco que é do branco.
Branco que pega a preta -
a preta que afunda o banco do branco.


É DIFÍCIL

É difícil:

Encontrar sentido na vida - quando pedida.
Perder a vida - quando não se tem.
Ter uma vida - quando não se quer.
Querer algo - quando não se pode.
Poder - sem poder.



sexta-feira, 18 de setembro de 2015

O TAMANHO DO INFINITO

O tamanho do infinito
Não há como saber
Não há medida que meça, não é possível conter.
Não é lícito contar nem permitido viver.
Como ter?

O tamanho do infinito 
Não está em você
Não se pode esconder 
Não se pode ver
Por quê?

O tamanho do infinito
Não está aqui nem ali
Não se sabe, não se saberá
Apenas comparar-se-á
A que?

O tamanho do infinito 
É vou dar-te a conhecer 
Não é pequeno nem grande
Não está vivo nem morto 
É o meu amor por você.
Crê?

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

AMO A QUEM UM DIA AMEI

Hoje amo a quem um dia amei      
Dizer quem é eu mesmo não sei
Se é de hoje, se é de ontem
Só sei que amo em rompante.

O amor que em meu peito branda
Não se justifica em demanda
Seja vivo, seja morto
Se nasce torto morre torto.

Como pode o amor eterno ser,
Se todo ser que nasce tem que morrer?
Amor como esse pode haver?

Não sei quem amo, confesso.
Se a de ontem ou a de hoje.
Mas sei que amo; amo a quem um dia amei.


quarta-feira, 2 de setembro de 2015

MONÓLOGO A DOIS (Parte 3) - O Indubitável Amor

Naquela noite, seu Zé chegou quase às 19:00. Na verdade, ele nem vinha naquele dia, só veio porque dona Zaíra ligou para ele, avisando que eu estava esperando-o. Cheguei em casa por volta das 20:00. Nem me atrevi a pedir que me ajudasse a procurar Luana; de certo, ele não aceitaria.
Fiquei preocupado a noite toda, pensando em como ela estaria; se já estava em casa, se ainda  estava no hospital... Ela não saía da minha cabeça. Acho que tudo aquilo me deixou mais apaixonado por ela.
Na manhã letiva seguinte, quase não consegui me concentrar nas aulas. As disciplinas extatas, cujos os conteúdos são os meus favoritos, não conseguiram me prender tanto quanto Luana. Às vezes, eu ficava, mesmo com os olhos vidrados na lousa, sem perceber o que se passava ao meu redor, me perguntando como eu poderia gostar de  alguém que faz dez anos que não lhe dirijo uma palavra. Era o amor, indubitavelmente.
Mal podeia esperar para que a tarde chegasse. Queria muito ir à praça, para ver se ela já havia melhorado ou mesmo se já estava lá. Tinha certeza que dona Zaíra me daria informações sobre ela. Se ela estivesse lá, aquele seria um ótimo assunto para iniciar um diálogo. E é exatamante o que farei: vou para casa agora, me arrumar bem bonito e me deslocar, no ônibus de sue Zé, até à praça Jão Negro, encontrar-me com minha amada, se ela estiver lá, é claro.

(IN) ESQUECÍVEL

Não há esquecimento
Para aquilo que marca
Seja uma paisagem, uma frase,
Um odor, um amor.

Há tempos o fim veio
Há tempos não o vejo
Há tempos de veraneio
Que não o sei-o.

Ainda o sinto.
Vive em mim este amor varrido, banido
Mas a superação já me é dada.

Da relação, não do sentimento.
Porque ainda o sinto;
O amor, não a relação.