quarta-feira, 2 de setembro de 2015

MONÓLOGO A DOIS (Parte 3) - O Indubitável Amor

Naquela noite, seu Zé chegou quase às 19:00. Na verdade, ele nem vinha naquele dia, só veio porque dona Zaíra ligou para ele, avisando que eu estava esperando-o. Cheguei em casa por volta das 20:00. Nem me atrevi a pedir que me ajudasse a procurar Luana; de certo, ele não aceitaria.
Fiquei preocupado a noite toda, pensando em como ela estaria; se já estava em casa, se ainda  estava no hospital... Ela não saía da minha cabeça. Acho que tudo aquilo me deixou mais apaixonado por ela.
Na manhã letiva seguinte, quase não consegui me concentrar nas aulas. As disciplinas extatas, cujos os conteúdos são os meus favoritos, não conseguiram me prender tanto quanto Luana. Às vezes, eu ficava, mesmo com os olhos vidrados na lousa, sem perceber o que se passava ao meu redor, me perguntando como eu poderia gostar de  alguém que faz dez anos que não lhe dirijo uma palavra. Era o amor, indubitavelmente.
Mal podeia esperar para que a tarde chegasse. Queria muito ir à praça, para ver se ela já havia melhorado ou mesmo se já estava lá. Tinha certeza que dona Zaíra me daria informações sobre ela. Se ela estivesse lá, aquele seria um ótimo assunto para iniciar um diálogo. E é exatamante o que farei: vou para casa agora, me arrumar bem bonito e me deslocar, no ônibus de sue Zé, até à praça Jão Negro, encontrar-me com minha amada, se ela estiver lá, é claro.

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