Ele não gostava de mulheres; mas também não era gay. Era apenas um observador externo das reações femininas. Gostava de vestir calcinhas, saias e vestidos, mas jamais afirmava ser gay. Até fazia teste de gravidez quando sentia-se inseguro depois de uma relação. Sua convicção era unânime: NÃO SOU GAY!
Certo dia, encontrou-se com uma prima sua, de outra cidade, que não via desde que tinham nove anos de idade. Quando a viu, não a reconheceu, pois estava mais alta, mais bonita; loura, olhos verdes, seios fartos, bunda grande e coxas grossas. Era o modelo perfeito de mulher para os brasileiros. Quando a encontrou, abraçou-a e, mesmo sem querer, sentiu seus mamilos encostando em seus peitos, pois ambos estavam sem sutiã. Diante disso, sentiu uma leve excitação, o que contribuiu bastante para o enaltecimento de sua máxima sobre sua sexualidade.
Depois de algumas horas conversando, ambos perceberam que estavam a sós em casa. Ela, como quem não quer nada, dirigiu-se até o banheiro, a fim de tomar um banho. Ele, como quem quer alguma coisa, a seguiu, fingindo ir fazer xixi. Quando ambos chegaram ao local, depararam-se com o maior paradigma que já haviam presenciado até então: eles eram transgêneros; ele possuía vagina e ela pênis.
Até aquele momento nada de mais havia acontecido entre os primos, no entanto, após aquela descoberta, aconteceu-se a maior acasalação de todos os tempos. Sobre a justificativa, alegam que sentiram-se mais à vontade por serem da mesma orientação sexual, porém, invertida, o que contribuiu para o fato.
De sorte, tudo aconteceu conforme ninguém havia previsto: eles transaram, ela se foi e ele, sugestivamente, mudou seu conceito sobre sua sexualidade.
Tempos depois, desacreditado da realidade, transtornou-se e voltou à estaca zero, afirmando, sobre todas as forças, que não era gay; era "transgênero não assumido".
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