Canto Poético
terça-feira, 14 de janeiro de 2020
DECLARAÇÃO
sábado, 4 de janeiro de 2020
SORRATEIRAMENTE
Minha mente
Mente
Aguardente quente
Acalma dor de dente
SALIENTE!
Preciso de um pente
Minha dor ninguém sente.
Tente!
Valente!
O perigo é iminente.
O soar é estridente.
Não há sentido no solvente.
Gente!
Encerrando esta patente.
Acabaram-se os entes
Não tenho absorventes
Uso apenas uma lente
Sorrateiramente.
sábado, 2 de março de 2019
DOR INTENSA
A dor é intensa!
O coração sangra!
O amor, eterno, não vai cessar tão cedo.
Nunca vai, na verdade.
Amor, quando real, não se extingue, não morre.
A dor é intensa!
O coração sangra!
O princípio daqui,
O orgulho de lá...
Ambos unidos para separar o que junto, no fundo, está.
Eu quero, ela quer. Mas, por nós, não o é.
"Seicomé".
A dor é intensa!
O coração sangra!
Voltar?
Claro!
O querer, aqui, não é poder.
Se não houver transformação, não adianta o tesão, dar as mãos...
NÃO!
O sofrimento é válido, é lícito.
Não se justifica, mas explica.
Injustiça...
A dor é intensa!
O coração sangra!
Se tiver que ser, um dia, será; retornará.
Não por mim, nem por ela... Mas, pelo acaso, pelo destino...
A vida continua, mesmo com o coração sangrando, com a dor tinindo. A vida, nua e crua, nos ensina a viver, mesmo que:
A dor seja intensa!
Que o coração sangre!
terça-feira, 13 de novembro de 2018
ÀS CEGAS
Nada do que se vê,
Se vê sem se ver.
Aquilo que se vê, sem ver, não se vê.
Nada é como parece ser.
A beleza, quando vista por fora, atrai.
O que é de fora, chama o que está fora.
O que é de dentro, chama o que está dentro.
O interior externo é introspectivo, quando visto como se vê.
O que se vê?
Há que se ver.
Quem vê o que está fora, é de fora.
Jamais entra dentro quem vê de fora.
Nem tudo se vê como se vê o que não se vê.
Aparências!
Aparências!
Opulências!
Saliências!
Nada do que se vê,
Se vê como o seu ver.
terça-feira, 23 de outubro de 2018
VIAGEM EMOCIONAL
Se não tens capacidade de abrir a porta do teu coração para quem tem a chave, é melhor sair dele, pois quem tem a chave vai abrir, te entregar o molho e partir para sempre, procurando guarida noutros interiores.
sexta-feira, 19 de outubro de 2018
INDEFINIDOS
Solitário.
Triste.
Pensante.
São meses de dedicação exclusiva.
Ordens acatadas.
Favores feitos.
Ele fazia tudo por ela, tudo!
Ela, tradicionalmente, não retribuía.
Nunca retribuiu.
Eles não estavam no mesmo nível.
Ele amava mais.
Ela amava também, mas não tanto.
Brigavam constantemente; todos os dias.
Cada dia, uma briga, um bloqueio.
Nunca tinham paz por mais que horas.
Ela queria tudo do seu jeito.
Ele, contrariado, fazia - quando possível.
Um dia, ele abriu os olhos...
Enxergou a babaquice.
Não valia o esforço.
Ele ainda a amava.
Ainda a ama.
Mas, no cenário atual, para ele, não dá mais.
É inviável.
Já estava o afetando.
Ele chorava, gritava consigo mesmo, por dentro.
Se perguntava: será que ela realmente me ama?
Ele entendeu que aquilo, daquele jeito, não era amor.
Amor é respeito. Isso não existia de forma mútua.
Sempre pedia mudança a ela.
Ela, em devaneios, prometia mudança.
Nunca mudou.
Ele não aguentou.
Surtou.
Como última opção, ele pediu a ela uma foto, para ficar admirando, já que não tinha mais. Era, na verdade, um último pedido.
Ela, previsivelmente, negou.
Ele, sem prolixos, agradeceu e se foi.
Desde então, não se falaram mais.
Mas, a portas e janelas estão abertas.
Não romperam, só estão aguardando o contato inicial um do outro.
Quem ceder primeiro, salva o romance.
Ele, decidido, não pretende dar o início.
Ela, orgulhosa, não tem perspectiva de abertura.
É indefinida a continuidade.
Não se sabe o que se há.
Há amor, isso é certo; uma verdade absoluta.
Mas, há orgulho, tristeza, decepção.
Se ninguém tomar as rédeas e se submeter,
Acaba tudo, da maneira mais infantil que se pode.
Mas, é a vida.
Começou, tem que terminar.
Nada é eterno.
Só resta chorar.
Amar dói.
quinta-feira, 18 de outubro de 2018
A SUJEIRA
A sujeira clama
Na lama, o ódio escorre.
A dama, desonrada, morre.
A sujeira, na cama, clama.
A sujeira clama!
O corpo voraz não se satisfaz.
Ele é fugaz, hodierno; eterno.
É sujo, mentecapto. Sagaz!
A ele não é dado limites.
Travessuras? Loucuras!
Foram uma, duas, três, 10!
Satisfação garantida. MENTIRA!
ELE QUER MAIS!
Não se satisfaz.
A sujeira clama, na lama.
O rancor, o furor, o cheiro propagado pelo ventilador. O odor característico da lama, da sujeira interna de anos de promiscuidade individual, solo, suja...
O corpo...
Os corpos...
O espírito. A carne! As vargens... As virgens. O virgem.
Nada traz, nada vem. É profundo o seu mundo. Não contém. Não contem. Não vale a pena. Sua alma é pequena.
A sujeira clama!
Quando termina, sua rima, na cama, põe-se a dormir, sem mentir, curvando-se a um novo amanhã, onde a lama será a sua nova cama. Clama!
Não tem escrúpulos! Se diz de fé.
Mané!
Condenado está!
Ah!
É lícito o ato.
É viável o fato.
A consumação não é pública, até então.
A sujeira, tradicionalmente, ainda clama.
Haverá salvação para o doente?
Diga-se tu a ti mesmo.
"Não há cura para o que não é doença", diziam eles.
Ele, franzino, nunca ouviu. Nunca viu. Nunca sentiu... Apenas fez; fez com as próprias mãos.
Derramou seus filhos... Qualquer espaço lhe servia. Morte estúpida ao crápula, à sua descendência.
Este jaz há anos em si próprio.
Nunca se soube o que se fez.
Ele, por si só, se desfez.
Era sujo, imundo.
Fazia; arrependia... Fazia novamente - na mente. Não mente.
Poente!
A sujeira clama [na lama].
A sujeira clama!
A sujeira, suja, clama!
Sua sujeira clama.