quarta-feira, 25 de março de 2015

CONFUSÃO NO ASSALTO

De tão distante vinha, a fim de refrescar as pupilas levemente dilatadas pelo sangue que outrora, estava a banhar meus calçados, brancos e envelhecidos pelas rochas do sertão cearense.
Ao chegar na capital, eis que um autêntico boêmio anuncia-me um assalto com um garfo como arma. De sorte, minha arma arrancar-lhe-ia a cabeça, se a usasse como devia.
Inocente pela nudez de minha terra, retorqui:
- Roube-me que te mato já!
- Passa o ferro, velhote! Exclamou o solitário.
Felizmente, para minha alegria, no bolso traseiro levava comigo um cachimbo metálico que ganhei, aos 12 anos, de minha bisavó.
Ao entregá-lo, percebi a insatisfação do sujeito e, sem demora, zarpei em direção a delegacia para informar o ocorrido.
Não obstante tenha sido a vítima, jurei a mim mesmo:
- No dia em que sair desta cadeia, pegarei minha espingarda de volta e darei dois tiros, um em cada peito, daquele que, usando de voz de assalto, me encaminhou, sem que eu percebesse, à minha condenação, ainda que inocente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário