Se não tens capacidade de abrir a porta do teu coração para quem tem a chave, é melhor sair dele, pois quem tem a chave vai abrir, te entregar o molho e partir para sempre, procurando guarida noutros interiores.
terça-feira, 23 de outubro de 2018
sexta-feira, 19 de outubro de 2018
INDEFINIDOS
Solitário.
Triste.
Pensante.
São meses de dedicação exclusiva.
Ordens acatadas.
Favores feitos.
Ele fazia tudo por ela, tudo!
Ela, tradicionalmente, não retribuía.
Nunca retribuiu.
Eles não estavam no mesmo nível.
Ele amava mais.
Ela amava também, mas não tanto.
Brigavam constantemente; todos os dias.
Cada dia, uma briga, um bloqueio.
Nunca tinham paz por mais que horas.
Ela queria tudo do seu jeito.
Ele, contrariado, fazia - quando possível.
Um dia, ele abriu os olhos...
Enxergou a babaquice.
Não valia o esforço.
Ele ainda a amava.
Ainda a ama.
Mas, no cenário atual, para ele, não dá mais.
É inviável.
Já estava o afetando.
Ele chorava, gritava consigo mesmo, por dentro.
Se perguntava: será que ela realmente me ama?
Ele entendeu que aquilo, daquele jeito, não era amor.
Amor é respeito. Isso não existia de forma mútua.
Sempre pedia mudança a ela.
Ela, em devaneios, prometia mudança.
Nunca mudou.
Ele não aguentou.
Surtou.
Como última opção, ele pediu a ela uma foto, para ficar admirando, já que não tinha mais. Era, na verdade, um último pedido.
Ela, previsivelmente, negou.
Ele, sem prolixos, agradeceu e se foi.
Desde então, não se falaram mais.
Mas, a portas e janelas estão abertas.
Não romperam, só estão aguardando o contato inicial um do outro.
Quem ceder primeiro, salva o romance.
Ele, decidido, não pretende dar o início.
Ela, orgulhosa, não tem perspectiva de abertura.
É indefinida a continuidade.
Não se sabe o que se há.
Há amor, isso é certo; uma verdade absoluta.
Mas, há orgulho, tristeza, decepção.
Se ninguém tomar as rédeas e se submeter,
Acaba tudo, da maneira mais infantil que se pode.
Mas, é a vida.
Começou, tem que terminar.
Nada é eterno.
Só resta chorar.
Amar dói.
quinta-feira, 18 de outubro de 2018
A SUJEIRA
A sujeira clama
Na lama, o ódio escorre.
A dama, desonrada, morre.
A sujeira, na cama, clama.
A sujeira clama!
O corpo voraz não se satisfaz.
Ele é fugaz, hodierno; eterno.
É sujo, mentecapto. Sagaz!
A ele não é dado limites.
Travessuras? Loucuras!
Foram uma, duas, três, 10!
Satisfação garantida. MENTIRA!
ELE QUER MAIS!
Não se satisfaz.
A sujeira clama, na lama.
O rancor, o furor, o cheiro propagado pelo ventilador. O odor característico da lama, da sujeira interna de anos de promiscuidade individual, solo, suja...
O corpo...
Os corpos...
O espírito. A carne! As vargens... As virgens. O virgem.
Nada traz, nada vem. É profundo o seu mundo. Não contém. Não contem. Não vale a pena. Sua alma é pequena.
A sujeira clama!
Quando termina, sua rima, na cama, põe-se a dormir, sem mentir, curvando-se a um novo amanhã, onde a lama será a sua nova cama. Clama!
Não tem escrúpulos! Se diz de fé.
Mané!
Condenado está!
Ah!
É lícito o ato.
É viável o fato.
A consumação não é pública, até então.
A sujeira, tradicionalmente, ainda clama.
Haverá salvação para o doente?
Diga-se tu a ti mesmo.
"Não há cura para o que não é doença", diziam eles.
Ele, franzino, nunca ouviu. Nunca viu. Nunca sentiu... Apenas fez; fez com as próprias mãos.
Derramou seus filhos... Qualquer espaço lhe servia. Morte estúpida ao crápula, à sua descendência.
Este jaz há anos em si próprio.
Nunca se soube o que se fez.
Ele, por si só, se desfez.
Era sujo, imundo.
Fazia; arrependia... Fazia novamente - na mente. Não mente.
Poente!
A sujeira clama [na lama].
A sujeira clama!
A sujeira, suja, clama!
Sua sujeira clama.
quarta-feira, 17 de outubro de 2018
SOPRO
A vida é um sopro
Sombrio, frio, enigmático.
Sopro vazio; um rio.
Anil.
A vida, tão fugaz, jaz.
Não há paz. Não mais.
Alcatraz voraz!
Ais!
Viver, viver... Não tendo a vergonha de ser feliz?
Como, se a felicidade depende da vergonha?
A vergonha da infelicidade é uma calamidade!
Vai! Viva a tua vida que eu vivo a minha.
Sentimentos são imprevisíveis. Não confio.
O sopro? Não existe mais. Nunca existiu, na verdade.