Eram 08:30 da manhã. Segunda-feira. os dois primeiros horários eram de Materiais de Construção. Eu não poderia faltar. Infelizmente, naquela manhã, tive que levar o carro na oficina, para a correção de algumas avarias que havia identificado ainda naquela semana. Pneus desalinhados, lataria suja, freio falho, eram algumas das características do Gol 1.6, modelo 95 que me fizeram perder, naquele dia, o horário do ônibus. Ele passava, pontualmente, todos os dias, às 06:30, em um ponto de ônibus a duas quadras de minha casa. Quase surtei quando olhei para o relógio do celular e vi que estava marcando 06:45. Fiquei naquela parada por quase 30 minutos, esperando, com esperança, assistir, pelo menos, ao segundo horário daquela aula. Infelizmente não consegui; cheguei ao campus depois das 08:00.
Para minha felicidade, a biblioteca já estava aberta. Não medi esforços em adentrar e, como de costume, sentei em umas das messas daquele lugar e, como que num rompante desesperador, saquei da mochila um notebook, Samsung, modelo RV 415, azul escuro, a fim de escrever algumas prosas em meu blog particular que, devido à divulgação de textos autoriais, ganhou amplo destaque na comunidade estudantil.
Pouco depois do intervalo, aproximadamente às 09:00, notei, em meio ao silêncio discreto daquela mediana área de estudos, sob os leves cliques dos alunos que manejavam com destreza os computadores daquela sala, uma menina sentada em um dos cantos, próximo ao armário porta-mochilas, solitária, em uma mesa redonda, com o rosto literalmente fixado em um livro cujo o assunto parecia bastante atraente, mesmo que sua expressão facial não demonstrasse qualquer reação ao dedilhar as páginas daquela leitura aparentemente monótona.
Saia preta, de cetim; blusa cinza, de algodão, sem mangas; cabelos pretos, lisos e presos com uma piranha cor de rosa; sandálias estilo rasteirinhas, na cor amarelo queimado; pele clara e semblante razoavelmente feliz, com olhos negros, até então desconhecidos. Parecia, em relação às pessoas que ali estavam - incluindo a mim - uma princesa. Era linda. Fiquei tentando, muitas vezes, a ir até ela, perguntar seu nome, mas achei que seria muito escroto fazê-lo. Talvez perguntar qual seu curso seria menos sutil; ou, quem sabe, questioná-la sobre o livro que estava lendo... Oportunidades era o que não faltava para puxar assunto com aquela menina. Mas mantive-me ereto em minha postura de cidadão secundarista, para não levantar rumores sobre heresias ou, para muitos, pedofilia, afinal, ela aparentava ter uns 16 ou 17 anos, ao passo que minha idade já passava dos 20. Cheguei, confesso, a pensar em ir por minha mochila no guarda-volumes, atrás dela, só para ver sua reação, mas me contive, para não provocar mausoléus desnecessários.
Havia algo naquela garota que me deixava intrigado. Talvez a maneira como seus olhos brilhavam ao percorrer as palavras grafadas naquele livro, a maneira como estava sentada: pernas juntas, coluna reta, cabeça levemente reclinada para baixo... Não sei o que mais me chamava a atenção: se a menina, como todas a sua beleza interior diferenciada ou o conteúdo misterioso daquele livro, que, curiosamente, lhe prendia desairosamente.
Passados alguns minutos, chega uma amiga; provavelmente sua irmã, pois a semelhança entre ambas era magnânima. No entanto, aquela, cujo livro fazia-se como alimento, esbanjava mais beleza e harmonia pelo ambiente. Parecia até um anjo; mas aquela não era uma comparação muito justa de se fazer, afinal, anjos não seriam tão belos quanto ela.
Embora eu quisesse muito falar com ela, e em meu íntimo já tivesse tomado coragem para aquilo, fui impedido, pois sua irmã, como que num furacão impetuoso, a levara consigo para fora da biblioteca. Seu perfume, algo como uma coletânea de rosas frescas, pairava sobre a atmosfera daquela biblioteca. Infelizmente, viverei acreditando que aquela que fez, mesmo que por alguns segundos, meu miocárdio pulsar mais forte, não existe mais entre nós, entre mim, pois jamais terei a oportunidade de vê-la novamente, com aquele livro, aquela roupa, aqueles olhos; olhos desconhecidos. Apenas guardarei aquelas lembranças em minha memória, para mim mesmo, resguardando-as dos curiosos da contemporaneidade. Talvez, pensei, eu publique esta história em meu blog, para que outros possam, assim como eu, conhecer a beleza em pessoa, embora não possam tocá-la, tê-la, vê-la.
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
sábado, 22 de agosto de 2015
FRIO CALOROSO
O ar, mesmo que rarefeito
Triunfa nas esquadrias sujas de minhas janelas.
Não vejo sinais de saída.
O frio é intenso hoje.
Preciso me aquecer.
Não quero morrer.
Pulo a janela ou enfrento a neve na porta?
Farei uma fogueira,
Mesmo no chão frio e molhado tentarei.
Tenho sede de calor.
Tenho fome de fogo.
Preciso de ar.
Ar branco, rosa, azul.
Preciso de ar quente.
Na ausência do calor.
Teu corpo serve.
Vamos juntos nos refrescar no suor um do outro.
Para que nossas vidas salvem-se e vivamos.
Mas, para isso precisas estar aqui.
Venha!
Venha, oh morena minha.
E vivamos este nosso amor caloroso no frio do amanhecer.
Triunfa nas esquadrias sujas de minhas janelas.
Não vejo sinais de saída.
O frio é intenso hoje.
Preciso me aquecer.
Não quero morrer.
Pulo a janela ou enfrento a neve na porta?
Farei uma fogueira,
Mesmo no chão frio e molhado tentarei.
Tenho sede de calor.
Tenho fome de fogo.
Preciso de ar.
Ar branco, rosa, azul.
Preciso de ar quente.
Na ausência do calor.
Teu corpo serve.
Vamos juntos nos refrescar no suor um do outro.
Para que nossas vidas salvem-se e vivamos.
Mas, para isso precisas estar aqui.
Venha!
Venha, oh morena minha.
E vivamos este nosso amor caloroso no frio do amanhecer.
A IMPORTÂNCIA DA VIDA
Há quem diga que o mais importante da vida é viver. Outros dizem que a própria vida é o mais importante de tudo e há quem atribua essa característica a Deus.
Estes últimos, porém, denotam-se em razão pelo fato de considerarem Deus o mais importante da vida. Ora, se Ele criou-a, como não poderia ser o mais importante da mesma?
O verdadeiro desfecho que existe epitomizado ante tais palavras restringe-se em redescobrir o real e ininteligível motivo sobre o qual estabelece-se a relação vital humana.
Com remostas descrições, ou mesmo sem distinções, compreendemos que o verdadeiro conceito atribuído à importância da vida recai em, além de Deus é claro, reconhecer a importância que a vida tem.
Viva a vida, importando-se apenas com o importante.
Estes últimos, porém, denotam-se em razão pelo fato de considerarem Deus o mais importante da vida. Ora, se Ele criou-a, como não poderia ser o mais importante da mesma?
O verdadeiro desfecho que existe epitomizado ante tais palavras restringe-se em redescobrir o real e ininteligível motivo sobre o qual estabelece-se a relação vital humana.
Com remostas descrições, ou mesmo sem distinções, compreendemos que o verdadeiro conceito atribuído à importância da vida recai em, além de Deus é claro, reconhecer a importância que a vida tem.
Viva a vida, importando-se apenas com o importante.
BRIGO POR ELA, BRIGO COM ELE
Quando te vi
Não acreditei;
Quando te olhei
Não falei.
Ele veio e te tirou para dançar.
Eu vos olhava como quem aspirava algo,
Muito triste, eu acho que estava.
Quando cessou a valsa
Veio até mim
Meti-lhe um manotaço na frente;
Ele revidou, pondo-me hercúleo;
Abracei-o e rolamos ao chão de barro frio.
À meia-noite
Tirei-lhe para dançar
E o vagabundo?
Matei-o com uma pedrada nos testículos.
Não acreditei;
Quando te olhei
Não falei.
Ele veio e te tirou para dançar.
Eu vos olhava como quem aspirava algo,
Muito triste, eu acho que estava.
Quando cessou a valsa
Veio até mim
Meti-lhe um manotaço na frente;
Ele revidou, pondo-me hercúleo;
Abracei-o e rolamos ao chão de barro frio.
À meia-noite
Tirei-lhe para dançar
E o vagabundo?
Matei-o com uma pedrada nos testículos.
MARESIA
Maresia
Seja no mar, seja no ar.
Maremoto
Seja fraco ou forte
Um amor real seu sinto
É mais forte que o ar
É um terremoto de paixão
Tenho maresia ao te amar, ao te beijar
Sito maremotos ao te ver
Eu te amo, em terremo
Na minha moto
Eu te amo.
Seja no mar, seja no ar.
Maremoto
Seja fraco ou forte
Um amor real seu sinto
É mais forte que o ar
É um terremoto de paixão
Tenho maresia ao te amar, ao te beijar
Sito maremotos ao te ver
Eu te amo, em terremo
Na minha moto
Eu te amo.
MORRO NO MORRO
Morro no morro.
Morro do Alemão.
Se não morro no morro
Morro onde moro
Moro no morro.
Morro do Alemão.
Se não morro no morro
Morro onde moro
Moro no morro.
COMIDA?
Nem um vintém para comer.
Viver de amor?
Amor não enche barriga de pobre
- Nem de rico! exclamou o poeta.
Arroz, feijão e milho
Mostarda e cat-up
Farinha de trigo ao molho pardo
Sem dinheiro não se compra isso
Sem isso não se come
O que é isso?
É amor?
Posso comê-lo?
- Pode, ela disse. Mas tem que pagar por quilo.
Não tenho um vintém se quer.
Não como há meses.
Mas amo há anos.
- Viva de amor, ela retrucou-me.
Amor não enche barriga de pobre.
Logo, sou pobre.
Porque amo e não como.
Ela também não come.
Não como comida.
Não como bebida.
Mas, a como
Por isso vivo.
Vivo de amor.
Vivo de comê-la.
Viver de amor?
Amor não enche barriga de pobre
- Nem de rico! exclamou o poeta.
Arroz, feijão e milho
Mostarda e cat-up
Farinha de trigo ao molho pardo
Sem dinheiro não se compra isso
Sem isso não se come
O que é isso?
É amor?
Posso comê-lo?
- Pode, ela disse. Mas tem que pagar por quilo.
Não tenho um vintém se quer.
Não como há meses.
Mas amo há anos.
- Viva de amor, ela retrucou-me.
Amor não enche barriga de pobre.
Logo, sou pobre.
Porque amo e não como.
Ela também não come.
Não como comida.
Não como bebida.
Mas, a como
Por isso vivo.
Vivo de amor.
Vivo de comê-la.
DE MÃOS DADAS
Nós dois
De mãos dadas
Andando na estrada
Quando de repente chove
E corremos em direção a um abrigo
Porém, como louco, saio e te trago comigo
Nos molhamos, brincamos de mãos dadas na água
Corremos, pulamos como duas crianças sobre as gotas
Dois amantes de mãos dadas, duas pessoas afogadas no amor
Amor verdadeiro e real. Que tudo resiste e suporta; uma vida de sonhos
Uma grande caminhada, lutas, derrotas e vitórias. Prazer em viver e amar.
Assim somos nós. Estamos nós assim, amantes e visíveis, como casal
Que venceu todas as circunstâncias para estarmos aqui, cantando
Encantando, vivendo e aprendendo mais sobre tudo e todos
Tendo a certeza da reciprocidade do amor eterno
Sonhadores sim, mas o somos em certeza
Um sucesso não gerado de nós
Porém daquEle que nos criou
Que nos deu a vida, o ar
Que nos tem em eterno
Tudo para ti eu digo
Em uma só palavra
Oh, minha amada
Sabes disso sim
Mas te digo
Sem agora
Eu te amo
Eu te
Amo
De mãos dadas
Andando na estrada
Quando de repente chove
E corremos em direção a um abrigo
Porém, como louco, saio e te trago comigo
Nos molhamos, brincamos de mãos dadas na água
Corremos, pulamos como duas crianças sobre as gotas
Dois amantes de mãos dadas, duas pessoas afogadas no amor
Amor verdadeiro e real. Que tudo resiste e suporta; uma vida de sonhos
Uma grande caminhada, lutas, derrotas e vitórias. Prazer em viver e amar.
Assim somos nós. Estamos nós assim, amantes e visíveis, como casal
Que venceu todas as circunstâncias para estarmos aqui, cantando
Encantando, vivendo e aprendendo mais sobre tudo e todos
Tendo a certeza da reciprocidade do amor eterno
Sonhadores sim, mas o somos em certeza
Um sucesso não gerado de nós
Porém daquEle que nos criou
Que nos deu a vida, o ar
Que nos tem em eterno
Tudo para ti eu digo
Em uma só palavra
Oh, minha amada
Sabes disso sim
Mas te digo
Sem agora
Eu te amo
Eu te
Amo
NOSTALGIA CAPITAL
Vejo os outros.
Vejo as outras.
Vejo ambos, juntos, apaixonados
Invejo-os, por não poder igualitar-me
Amo a quem amo.
Peço por fazer
Mas não posso.
Não deixam.
Um dia, creio, poderei.
Fico na esperança de, adiante, fazermos, juntos
Aquilo que, noutros, vejo.
Vejo as outras.
Vejo ambos, juntos, apaixonados
Invejo-os, por não poder igualitar-me
Amo a quem amo.
Peço por fazer
Mas não posso.
Não deixam.
Um dia, creio, poderei.
Fico na esperança de, adiante, fazermos, juntos
Aquilo que, noutros, vejo.
DECLARAÇÃO
O preto dos teus olhos, quando fixam nos meus, tremo como a laranjeira que ascende no inverno.
As tuas mãos, quando tocam as minhas, me faz varejar como as pétalas das rosas ao cair.
Minha vida é tua, a tua é minha. As nossas, como uma, é de Deus.
Eu te amo, como Romeu e te sinto como Julieta.
Não nos vemos, mas nos amamos.
Eu te quero e te tenho. Tu me tens, sempre e sempre.
Teus cabelos, lisos e pretos, invadem meu rosto quando tocamos os lábios.
Teu cheiro, tuas roupas, teu jeito. Tudo isso me encanta; tudo isso me encanta.
Você, linda, me é como um anjo, não caído, porém, ainda lá, no céu do amor.
Nosso amor, único e verdadeiro, vale mais que ouro, prata, zinco ou o titanium de nossos anéis.
Eu te amo, oh minha amada. Eu te amo.
Amo você, sem saber.
Te quero pra sempre, porque amo você.
As tuas mãos, quando tocam as minhas, me faz varejar como as pétalas das rosas ao cair.
Minha vida é tua, a tua é minha. As nossas, como uma, é de Deus.
Eu te amo, como Romeu e te sinto como Julieta.
Não nos vemos, mas nos amamos.
Eu te quero e te tenho. Tu me tens, sempre e sempre.
Teus cabelos, lisos e pretos, invadem meu rosto quando tocamos os lábios.
Teu cheiro, tuas roupas, teu jeito. Tudo isso me encanta; tudo isso me encanta.
Você, linda, me é como um anjo, não caído, porém, ainda lá, no céu do amor.
Nosso amor, único e verdadeiro, vale mais que ouro, prata, zinco ou o titanium de nossos anéis.
Eu te amo, oh minha amada. Eu te amo.
Amo você, sem saber.
Te quero pra sempre, porque amo você.
terça-feira, 18 de agosto de 2015
VIDA
A vida pode, ou não, ser vivida.
Pode não ser vida, mas não deixará de ser vivida.
O que é, afinal?
Não se sabe o que não é, no entanto, não se pode definir o que é.
Quem sabe o que é?
Ninguém.
Eis a solução:
Viver!
Viver acreditando que se vive mesmo sem saber o que é vida.
Saber o que não se sabe.
Fazer o que não se faz.
Não há como deixar de viver.
Mesmo quando se morre, se vive.
Vive-se em pensamentos, em memórias.
Mas, sobretudo, vive-se sem saber.
Posso não saber viver como vivem os que dizem saber
Mas sei que vivo a vida
A minha vida.
A vida que vivo.
Pode não ser vida, mas não deixará de ser vivida.
O que é, afinal?
Não se sabe o que não é, no entanto, não se pode definir o que é.
Quem sabe o que é?
Ninguém.
Eis a solução:
Viver!
Viver acreditando que se vive mesmo sem saber o que é vida.
Saber o que não se sabe.
Fazer o que não se faz.
Não há como deixar de viver.
Mesmo quando se morre, se vive.
Vive-se em pensamentos, em memórias.
Mas, sobretudo, vive-se sem saber.
Posso não saber viver como vivem os que dizem saber
Mas sei que vivo a vida
A minha vida.
A vida que vivo.
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
SAUDOSA IMPERATRIZ
Banhada por águas que não são suas
Visitada por turistas alheios
Suas largas e estreitas ruas
Despertam atenção e anseios.
Terra de boa morada
De música, dança e teatro
Faz jus à pátria amada
Sem sair de seu esquadro.
Como pode este lugar como descaso ficar?
Quem, de fato, o governará?
Aonde a solução estará?
Houve um tempo que foi feliz
Pois havia uma força motriz:
Nossa saudosa Imperatriz.
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
ESTOU COM SAUDADES DE ME APAIXONAR
Eu estava sentada no sofá do escritório de meu amigo, esperando ele terminar o expediente para irmos para casa juntos, como de costume. De sorte, os assentos, inclusive o que eu estava sentada, ficava em frente a uma janela enorme, de vidro, daqueles que tem aquele efeito que faz com que quem esteja dentro consiga ver quem está fora, mas não o contrário. E foi justamente nesta imensa janela que pude contemplar a beleza dos homens. Eles passavam de um lado para o outro; muitos em ternos, outros esportivos, alguns até mesmo despojados, mas sempre atrelados a alguma coisa.
Havia um em especial, que me chamou a atenção. Ele era alto, branco, cabelos lisos e preto, olhos negros; usava um terno preto com uma gravata de cor vermelho escuro. Falava insistentemente ao celular, gesticulando com as mãos, como se estivesse dando uma bronca em alguém. Parecia furioso, mas, no fundo, aparentava ser uma boa pessoa. Tinha um bom semblante e isso fazia com que a ideia de mocinho fosse mais enfatizada.
Ainda pensei em falar com ele, mas não fui. Fiquei com medo de o expediente do meu amigo acabar e ele não me encontrar em sua sala de espera e, por conta disso, eu perder a carona.
Meu amigo sai.
- Esperou muito tempo? Indagou ele, dando aquele tradicional sorriso de sarcasmo.
- Não, não; se esperei muito, foi uns 10 minutinhos. Respondi, retribuindo a ironia.
- Ótimo! Vamos?
- Vamos!
Fomos.
Ao chegar em casa, fiquei pensando naquele homem que vi da janela do escritório e na oportunidade que perdi. Eu deveria ter ido falar com ele, pensei. Mas, enfim, já passou. Nunca mais vou vê-lo, acredito. Pra falar a verdade, acho que estou apaixonada por ele. Faz tanto tempo que me apaixonei que nem sei mais como é se apaixonar. Pensando bem, estou com saudades de me apaixonar.
O que é paixão, afinal?
Essa é uma resposta que nem mesmo os mais sábios da antiguidade - e da contemporaneidade - conseguiram responder. Quem dirá eu, uma mera atendente de telemarketing. Mas, nada me impede de expressar minha opinião sobre o assunto. Mas isso é historia suficiente para outra monografia.
Havia um em especial, que me chamou a atenção. Ele era alto, branco, cabelos lisos e preto, olhos negros; usava um terno preto com uma gravata de cor vermelho escuro. Falava insistentemente ao celular, gesticulando com as mãos, como se estivesse dando uma bronca em alguém. Parecia furioso, mas, no fundo, aparentava ser uma boa pessoa. Tinha um bom semblante e isso fazia com que a ideia de mocinho fosse mais enfatizada.
Ainda pensei em falar com ele, mas não fui. Fiquei com medo de o expediente do meu amigo acabar e ele não me encontrar em sua sala de espera e, por conta disso, eu perder a carona.
Meu amigo sai.
- Esperou muito tempo? Indagou ele, dando aquele tradicional sorriso de sarcasmo.
- Não, não; se esperei muito, foi uns 10 minutinhos. Respondi, retribuindo a ironia.
- Ótimo! Vamos?
- Vamos!
Fomos.
Ao chegar em casa, fiquei pensando naquele homem que vi da janela do escritório e na oportunidade que perdi. Eu deveria ter ido falar com ele, pensei. Mas, enfim, já passou. Nunca mais vou vê-lo, acredito. Pra falar a verdade, acho que estou apaixonada por ele. Faz tanto tempo que me apaixonei que nem sei mais como é se apaixonar. Pensando bem, estou com saudades de me apaixonar.
O que é paixão, afinal?
Essa é uma resposta que nem mesmo os mais sábios da antiguidade - e da contemporaneidade - conseguiram responder. Quem dirá eu, uma mera atendente de telemarketing. Mas, nada me impede de expressar minha opinião sobre o assunto. Mas isso é historia suficiente para outra monografia.
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
MONÓLOGO A DOIS: (Parte 2) - A decisão.
Hoje é sábado. Passei a semana inteira esperando por este dia. Hoje é o dia em que a coragem me tomou e decidi falar com Luana. Tomara que ela vá hoje. Confesso que ainda sinto muito medo; talvez vergonha. Fico melindroso por temer que nossa amizade possa acabar antes mesmo de começar. Aff! Que amizade?! Nós nunca nos falamos mesmo! Mas hoje estou decidido. Vou falar com ela.
É chegada a hora. Ela já deve estar lá. Quando chegar, não vou perder o foco; vou direto ao assunto. Mas... Primeiro preciso de um assunto. Acho que vou falar sobre a praça, afinal, é o único lugar em comum entre nós. Aquele nome causa risos em qualquer um. Por que diabos alguém colocaria o nome de uma praça tão bonita e frequentada de Jão Negro? Quem foi esse tal de Jão Negro? E por que Negro? Racismo não é crime? E, cá entre nós, é Jão ou João? Não sei se foi burrice ou sarcasmo. Acho que este não é um bom assunto. É melhor eu ir logo, antes que eu perca o ônibus; o único que tem elevador para cadeirantes. É incrível como pode ter só um ônibus com acessibilidade em uma cidade com mais de 30 mil habitantes. Isso é lamentável. Ainda bem que ela não passa por isso, sua família tem carro. Na verdade, carros; todos devidamente adaptados para pessoas como nós. Enfim! Já passa das 17:00, é melhor eu ir andando. (Risos) Que piada sem graça!
O ônibus se aproxima. É o melhor motorista da linha que está no volante: Seu Zé! Quando ele me vê na parada, nem preciso estender a mão, ele logo para. Seu Zé é um ótimo amigo.
- Boa tarde, Seu Zé!
- Boa tarde, Paulinho! Tudo bem?
- Tudo ótimo.
- Precisa de uma ajudinha aí com essa máquina?
- Só preciso que me ajude a subir no elevador; o restou, pode deixar comigo.
- Cabra Macho! É assim que eu gosto de ver. Não esqueça dos cintos.
- Cintos de segurança colocados com sucesso, Seu Zé. Pode zarpar!
- Beleza! Vai para a praça Jão Negro de novo?
- Vou sim, estou encantado com uma de suas frequentadoras.
- Hum... Sei... Cuidado com essas encantadoras, às vezes elas só querem realmente nos encantar.
- Mas essa não, Seu Zé. Ela é especial. É diferente.
- Cadeirante?
- Sim. Respondi, olhando para o chafariz da praça, pela janela do ônibus, para ver se ela já estava lá.
- Ótimo! Chegamos! Consegue descer?
- Sem dúvidas! Até mais, Seu Zé.
- Até logo, Paulinho. Cuidado, não fique correndo atrás dessas encantadoras (risos).
- (risos).
Nunca pensei que um dia fosse sentir tanto medo em falar com alguém. Mal cheguei na praça e já estou com um enorme frio na barriga. Sem falar nas tremedeiras; pareço mais um esquimó pelado dentro de um iglu.
Quando olhei pela janela do ônibus, não consegui vê-la. Temo por ela não te vindo hoje. Mas ela sempre vem todos os sábados. Nunca presenciei um sábado que faltasse. Vou procurá-la. Talvez algumas pessoas a tenham visto.
- Boa tarde, dona Zaíra!
- Boa, meu filho.
- A senhora viu a Luana por aqui hoje?
- Quem é Luana, meu anjo?
- Uma menina, cadeirante como eu, cabelos lisos, gosta de usar fones de ouvidos, sempre usa vestido, muitas vezes floridos... A senhora a viu?
- Ah! Lembrei. Você fala da Luluzinha!
- Luluzinha?
- Sim, ela vem todas as tardes aqui para tomar um suco de caju com biscoitos integrais.
- Ela veio hoje?!
- Infelizmente não, meu filho. Acredito que ela não virá nos próximos dias, pois está doente.
- Doente?! Como? O que ela tem?
- Não sei ao certo. Quando esteve aqui pela última vez, na quinta-feira, estava muito pálida e tossia bastante.
- Nossa! Eu não sabia disso. Muito obrigado, dona Zaíra.
- Por nada, meu anjo. Tenha uma boa tarde.
Puxa vida! Ela não veio hoje e ainda por cima está doente. E o pior é que não posso fazer nada. Não sei onde ela mora; só sei que é do outro lado da cidade. Mas não posso ficar aqui parado. Tenho que fazer alguma coisa!
Já sei! Vou esperar o Seu Zé voltar da rota, com certeza ele me levará até lá e me ajudará a encontrar a casa da Luana. Se bem que ele só volta às 18:00. Mas vale à pena esperar. É por uma boa causa.
Já sei! Vou esperar o Seu Zé voltar da rota, com certeza ele me levará até lá e me ajudará a encontrar a casa da Luana. Se bem que ele só volta às 18:00. Mas vale à pena esperar. É por uma boa causa.
terça-feira, 4 de agosto de 2015
BRASIL: sobre ricos e pobres.
Brasil
Terra de rico pobre
Pobre de alegria, saúde, vida...
Alegria verdadeira
Saúde real
Vida vivida.
Brasil
Terra de pobre rico
Rico de espírito, amizades, sabedoria...
Espírito verdadeiro
Amizades reais
Sabedoria vivida.
Brasil
Terra de brasileiros.
Terra de estrangeiros.
Pobres e ricos.
Ricos e pobres.
Quando vai mudar?
O que vai mudar?
Por que vai mudar?
As respostas:
NUNCA!
NADA!
Porque sim; porque é o fim. É o Brasil.
Brasil de ricos, de pobres.
Terra de rico pobre
Pobre de alegria, saúde, vida...
Alegria verdadeira
Saúde real
Vida vivida.
Brasil
Terra de pobre rico
Rico de espírito, amizades, sabedoria...
Espírito verdadeiro
Amizades reais
Sabedoria vivida.
Brasil
Terra de brasileiros.
Terra de estrangeiros.
Pobres e ricos.
Ricos e pobres.
Quando vai mudar?
O que vai mudar?
Por que vai mudar?
As respostas:
NUNCA!
NADA!
Porque sim; porque é o fim. É o Brasil.
Brasil de ricos, de pobres.
FATO ESTRANHO
Ele não gostava de mulheres; mas também não era gay. Era apenas um observador externo das reações femininas. Gostava de vestir calcinhas, saias e vestidos, mas jamais afirmava ser gay. Até fazia teste de gravidez quando sentia-se inseguro depois de uma relação. Sua convicção era unânime: NÃO SOU GAY!
Certo dia, encontrou-se com uma prima sua, de outra cidade, que não via desde que tinham nove anos de idade. Quando a viu, não a reconheceu, pois estava mais alta, mais bonita; loura, olhos verdes, seios fartos, bunda grande e coxas grossas. Era o modelo perfeito de mulher para os brasileiros. Quando a encontrou, abraçou-a e, mesmo sem querer, sentiu seus mamilos encostando em seus peitos, pois ambos estavam sem sutiã. Diante disso, sentiu uma leve excitação, o que contribuiu bastante para o enaltecimento de sua máxima sobre sua sexualidade.
Depois de algumas horas conversando, ambos perceberam que estavam a sós em casa. Ela, como quem não quer nada, dirigiu-se até o banheiro, a fim de tomar um banho. Ele, como quem quer alguma coisa, a seguiu, fingindo ir fazer xixi. Quando ambos chegaram ao local, depararam-se com o maior paradigma que já haviam presenciado até então: eles eram transgêneros; ele possuía vagina e ela pênis.
Até aquele momento nada de mais havia acontecido entre os primos, no entanto, após aquela descoberta, aconteceu-se a maior acasalação de todos os tempos. Sobre a justificativa, alegam que sentiram-se mais à vontade por serem da mesma orientação sexual, porém, invertida, o que contribuiu para o fato.
De sorte, tudo aconteceu conforme ninguém havia previsto: eles transaram, ela se foi e ele, sugestivamente, mudou seu conceito sobre sua sexualidade.
Tempos depois, desacreditado da realidade, transtornou-se e voltou à estaca zero, afirmando, sobre todas as forças, que não era gay; era "transgênero não assumido".
Certo dia, encontrou-se com uma prima sua, de outra cidade, que não via desde que tinham nove anos de idade. Quando a viu, não a reconheceu, pois estava mais alta, mais bonita; loura, olhos verdes, seios fartos, bunda grande e coxas grossas. Era o modelo perfeito de mulher para os brasileiros. Quando a encontrou, abraçou-a e, mesmo sem querer, sentiu seus mamilos encostando em seus peitos, pois ambos estavam sem sutiã. Diante disso, sentiu uma leve excitação, o que contribuiu bastante para o enaltecimento de sua máxima sobre sua sexualidade.
Depois de algumas horas conversando, ambos perceberam que estavam a sós em casa. Ela, como quem não quer nada, dirigiu-se até o banheiro, a fim de tomar um banho. Ele, como quem quer alguma coisa, a seguiu, fingindo ir fazer xixi. Quando ambos chegaram ao local, depararam-se com o maior paradigma que já haviam presenciado até então: eles eram transgêneros; ele possuía vagina e ela pênis.
Até aquele momento nada de mais havia acontecido entre os primos, no entanto, após aquela descoberta, aconteceu-se a maior acasalação de todos os tempos. Sobre a justificativa, alegam que sentiram-se mais à vontade por serem da mesma orientação sexual, porém, invertida, o que contribuiu para o fato.
De sorte, tudo aconteceu conforme ninguém havia previsto: eles transaram, ela se foi e ele, sugestivamente, mudou seu conceito sobre sua sexualidade.
Tempos depois, desacreditado da realidade, transtornou-se e voltou à estaca zero, afirmando, sobre todas as forças, que não era gay; era "transgênero não assumido".
ESTRANHO
Vivo entre estranhos
Mas não sou estranho.
O que é estranho, afinal?
Não conhecer o novo, talvez.
Tudo o que é novo é estranho.
O céu, o mar, a terra, o ar...
Tudo isso não é estranho
Pois se conhece desde sempre
Acho que estou louco.
Me contradigo um pouco.
Se aquilo que citei
Não é estranho por sua antiguidade,
Logo, as pessoas também não o são
Pois são de muita idade.
Não sou estranho, pois sou pessoa.
Diante disso, descobri, então, o que é realmente o estranho:
EU.
Outra contradição.
Mas não sou estranho.
O que é estranho, afinal?
Não conhecer o novo, talvez.
Tudo o que é novo é estranho.
O céu, o mar, a terra, o ar...
Tudo isso não é estranho
Pois se conhece desde sempre
Acho que estou louco.
Me contradigo um pouco.
Se aquilo que citei
Não é estranho por sua antiguidade,
Logo, as pessoas também não o são
Pois são de muita idade.
Não sou estranho, pois sou pessoa.
Diante disso, descobri, então, o que é realmente o estranho:
EU.
Outra contradição.
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