sexta-feira, 7 de outubro de 2016

QUE HORROR!

Meu peito está dilacerado
De tanto amor
Estou desencorajado
Não sinto dor!
A incorrespondência é o pior desamor
Que horror!
Sinto furor!
Sem dor!
Que horror, esse amor.
Que horror!
Que horror!


quinta-feira, 6 de outubro de 2016

MONÓLOGO A DOIS (Parte 4) - Primeiro contato: o pânico

Depois que saí da aula, fui direto para casa, me arrumar. Depois de muita insistência de minha mãe, decidi comer algo e, logo em seguida, sem perca de tempo, parti para a parada, esperar seu Zé; ele nunca se atrasava. Houve uma vez, quando ficou preso no trânsito. Tinha muitos carros na faixa de ônibus mas, mesmo assim, não se atrasou. Ele pilotou sobre as calçadas da rua. Seu Zé é sempre pontual.
Não demorou muito para que ele chegasse. Notei, de longe, que seu ônibus estava diferente: as portas estavam com uma cor estranha, um tom meio amarelado, diferente do que costuma ser, verde musgo; o letreiro onde fica o itinerário estava sujo, o que era raro de acontecer; uma das lâmpadas dos faróis dianteiros estava apagada, o que nunca acontecia, mesmo à luz do dia. As coisas não estavam normais.
Quando o veículo se aproximou mais um pouco, percebi que não era seu Zé quem dirigia. Eu deveria ter percebido pelo horário, 2 minutos depois do horário de sempre. Ao parar, o novo motorista logo me cumprimentou:
- Boa tarde, Paulo!
- Boa. O que houve com o seu Zé?
- Ele teve que resolver uns problemas pessoais. Acho que é coisa de família. Não pode vir hoje.
- Hum... Tudo bem. Pode me ajudar a subir?
- Posso sim! "Zezão" me fez boas recomendações sobre você.
- Obrigado!
Depois de estar no ônibus, fiquei imaginando o que deveria ter acontecido com seu Zé para ele faltar um dia de trabalho. Ele nunca faltava. Nunca! Por alguns instantes esqueci de Luana e fiquei fixado em seu Zé, tentando entender o que poderia ter acontecido.
Mas, não deveria ter sido nada de grave, caso contrário seu substituto teria me contado. Se bem que desde quando o conheço, não tenho muitas informações suas... Seu Zé não era de dar informação sobre si para estranhos; nem a conhecidos ou amigos.
Mas, enfim, ele deve ficar bem. Devo me concentrar em Luana e seu estado de saúde.
Não demorou muito até chegarmos à praça. Ela estava movimentada naquele dia. Acho que aquela era a primeira vez que eu a vi tão lotada. Até o parquinho estava abarrotado de crianças. A quitanda de dona Zaíra também estava tomada por fregueses. O campinho de futebol tinha crianças e adultos brincando. Os bancos, principalmente o que costumo sentar, estava pendendo de tanta gente sentada.
Aquele dia não estava normal. Fiquei me perguntando qual seria o motivo de uma praça, com um nome escroto, sempre pacata, sem muitos visitantes, em um dia aparentemente normal, estar tão alvoroçada de pessoas...
Depois de alguns minutos andando pela praça e procurando um lugar para sentar, apesar de eu já estar sentado, percebi que havia uma espécie de palco no centro da praça. Acho que deveria acontecer algum show ou algo parecido naquela tarde. Depois de rodar a praça toda e não encontrar um banco vazio, fui à banca de dona Zaíra:
- Boa tarde, dona Zaíra!
- Boa tarde, anjinho. Tudo bem?
- Tudo sim. Hoje está movimentado aqui, hein...
- Verdade. É por causa do show que vai ter aí.
- A senhora sabe de quem é o show? Quem vai cantar?
- Não sei ao certo. É uma moça que canta rock. Sua amiga, Luluzinha, gosta muito dela.
- Luana gosta dela?! Então ela está aqui? A senhora a viu?
- Hoje eu não a vi. Até achei estranho... Pensei que ela viria.
- Hum... Ok, dona Zaíra. Vou dar umas voltas e ver se a encontro. Até mais.
- Até, meu bem.
Depois daquele diálogo, saí como um louco rodando aquela praça procurando Luana. Se ela estivesse ali, tinha certeza que a encontraria. Fui em todos os lugares, desde os banheiros químicos até à borda do lago... Ela não estava em lugar nenhum. Certamente, não tinha ido ao show.
Voltei à parada de ônibus. Já passava das 18:00 e seu Zé, ops... o outro motorista estava quase para chegar.
Ao chegar em casa, passei alguns minutos triste, imaginando o quão estranho fora aquele dia:
seu Zé não foi trabalhar, a praça estava lotada por conta de um show que a Luana gosta e, mesmo assim, não estava lá... Era demais pra mim.
Enquanto eu me remoía tentando entender aquela ultrajante situação, minha mãe entrou no quarto, dizendo que havia alguém no telefone para mim. Como eu não tinha muitos amigos, logo pensei que fosse seu Zé, justificando sua ausência.
Ao atender o telefone, tive uma surpresa imensa:
- Alô, eu disse, na certeza de que seu Zé responderia do outro lado.
- Oi, meu anjo!
Imediatamente, reconheci a voz suave e envelhecida de dona Zaíra. Confesso que estranhei o telefonema, pois já passava das 20:00.
- Dona Zaíra! Tudo bem? Perguntei desconfiado.
- Tudo bem sim, lindo. Só liguei porque tem uma pessoa que quer falar com você...
Por mais que eu soubesse que seria impossível ouvir a voz de Luana do outro lado da linha, a surpresa foi maior:
- Alô, retruquei, esperando a resposta.
- Oi, disse a voz doce e macia do outro lado.
- Quem é? Perguntei.
- Você estava me procurando hoje pela tarde?
Naquele momento, fiquei paralisado. Eu não sabia o que dizer. Não sabia o que fazer. Era Luana!
No pânico do momento, não tive outra ação se não desligar o telefone. Minha mãe, assustada com minha cara de surpresa e pavor, perguntou o que tinha acontecido. Mal sabia ela que, na verdade, eu estava enfrentando o maior desafio de minha vida: falar, pela primeira vez, com quem nunca falei na vida, mas sempre amei.      

terça-feira, 9 de agosto de 2016

MOÍDO

Tem dias que te conheço.
Há outros que não sei quem és.
Não sei o que queres nem a que veio.
Sei que tens belos anseios.
Mas... não sei... não te conheço.
Não hoje.
Ontem, quando te conhecia,
sabia da tua rotina,
Mas, hoje, sobre ti sou cego, sem noção, sem moção.
Por não mais te conhecer, não posso te ter.
Tenho que ceder; morrer.
Se não posso viver contigo, muito menos o faço comigo.
Coração partido!
Destino redigido.
Sentimento comprazido.
Moído.


                              

quarta-feira, 1 de junho de 2016

UMA SEMANA NO RIO: a saída.

Passava das 05:00 da manhã quando o alarme do seu velho e trincado Moto X disparou. Suas pupilas dilatadas demoraram cerca de 10 segundos para identificar que horas eram. Não tinha dormido bem na noite anterior. Quando enxergou o relógio marcando 05:30, tomou um susto: "vou perder o ônibus!" Pensou. Com a velocidade que jamais pensou possuir, correu em direção ao banheiro. Como era cedo, não se preocupou em pegar toalha, pois todos na casa ainda dormiam. Depois de banhar, verificou se a centrifugadora tinha secado devidamente as roupas que lavara na noite anterior. Infelizmente, seu casaco, companheiro de todas as viagens, ainda estava levemente úmido, dado a sua espessura, o que lhe rendeu, ainda, uns 30 minutos de atraso.
Depois de por todas as roupas na mala, vestiu-se a seu modo característico: calça jeans preta; camisa cor de vinho, gola pólo, dois números acima de seu tamanho; tênis social/esporte, preto e branco; pente modelo escovinha, vermelha, no bolso traseiro direito; carteira, abarrotada com algumas notas financeiras, no bolso traseiro direito.
Ao terminar todo o ritual, beijou cada um de seus quatro irmãos, ainda dormindo, despediu-se de seu pai, recebendo deste a tradicional benção, e partiu, rumo à parada de ônibus mais próxima de sua casa.
Como o fardo de suas duas malas mais a mochila de costas já lhe era farto, resolveu, ao invés de pegar transporte coletivo, pegar um táxi. Ao chegar no ponto, viu um lancheiro solitário, cuja bicicleta estava brutalmente abastecida com pastéis, coxinhas, pães-de-queijo e outras guloseimas, além da vasta quantidade de sucos.
Sem perder tempo, não titubeou:
- Bom dia! Cumprimentou, colocando as malas sobre o banco de espera.
- Bom dia! Disse o lancheiro, já descendo da bicicleta e abrindo a vitrine dos salgados.
- Veja-me um pastel de carne, por favor.
- Agora, patrão! Falou o vendedor, já com o pastel na mão.
Depois de comer dois pastéis, uma coxinha, um bolo e um copo de suco de acerola, pagou e solicitou um copo d'água.
- Quanto deu, senhor? Perguntou já de barriga cheia.
- Só R$ 7,00, amigo.
- O senhor tem água ai?
- Tenho sim, na hora. Falou alegre o lancheiro.
A terminar de tomá-la, viu, logo à sua retaguarda, três amigas, colega de classe, se aproximando.
- Oi! Disse, surpreso, já apertando as mãos das moças.
- Olá. Falou uma delas, aparentemente surpresa por encontrá-lo ali.
- Estão indo para o campus? Indagou, na esperança de que soubesse o horário do ônibus, já que, provavelmente, o pagavam todos dias naquele horário.
- Sim. Disseram as três, em uníssono.
- Pois vamos. Eu ia de táxi, mas aqui está muito demorado. Que horas passa o ônibus?
- Passa às 06:40, respondeu a mais jovem.
- Ótimo! Pois vou com vocês. Afirmou sorridente.
- E estas malas? Indagou a jovem mais velha.
- São minhas. Do campus, irei para o Rio de Janeiro com os colegas.
Todos saíram, rumo à parada de ônibus.
Depois de alguns minutos na ponto, chega um de seus amigos que, de igual, modo, também iria ao Rio.
- Fala nobre! Disse, em cumprimento ao colega que havia chegado.
- E aí! Respondeu, ainda com cara de sono.
- Preparado para a viagem? Retrucou, esperando uma resposta empolgante do colega.
- Oras!
- Pois se prepara, porque a viagem será longa.
- Isso ai.
Depois de alguns minutos, o ônibus chegou. Ambos estavam ansiosos para chegar ao campus e embarcar no veículo institucional rumo ao primeiro centro urbano brasileiro.
Ao chegarem no campus, dado o horário, poucas pessoas haviam ali. Apenas alguns alunos, esperando suas aulas, uns poucos servidores, preparando a votação que aconteceria mais tarde e, ainda, dois ou três servidores da limpeza, exercendo seu trabalho.
Aos poucos, mais alunos chegavam; alguns acompanhados pelos pais, todos aflitos, preocupados com a viagem dos filhos.
Muitos pais lhe entregavam os filhos como quem entrega um pote de ouro, recomendando mil e um cuidados. De fato, era uma responsabilidade muito grande.
Duas mães, em especial de um menino e uma menina, ressaltaram a atenção que seus filhos precisavam.
A mãe do menino reforçou as recomendações, alegando que seu filho era muito esquecido e que precisava de mais cuidados porque tinha chegado de uma outra viagem longa no dia anterior. Eram tantas recomendações que se fosse listá-las seria maior, em rolos, que a distância percorrida pela Tocha Olímpica.
A mãe da menina, por sua vez, pediu insistentemente que não tirasse os olhos de sua filha. Justificou que sua pequena era muito ouriçada e que, se houvesse oportunidade, ela poderia perder o controle por conta de sua euforia. Apesar de sua índole inocente, mais tarde, naquele mesmo dia, isso aconteceu.
Depois de infindáveis pedidos de atenção, chegou a hora da partida. Todos começaram a embutir suas enormes malas no bagageiro do ônibus. Algumas malas eram tão grandes que precisaram ser postas na horizontal, para caber.
Dentro do ônibus, com todos acomodados, foram dadas as diretrizes iniciais:
nada de andar, ou ficar em pé, no corredor, usar o cinto de segurança, não ficar de joelhos nas poltronas, etc.
No final das regras, foi feita uma oração, com fins de agradecimentos e, sobretudo, petição de proteção.
Parte o ônibus.
Nos primeiros momentos, os estudantes se detiveram em cantorias e brincadeira corriqueiras de viagens. Debates ardentes também foram digeridos até a chegada do almoço. Muitos, até o horário da refeição, dormiam seguramente, guardando, dentro de si, a ansiedade de chegar ao Rio.
Chega a hora do almoço. Muitos ainda estão sem fome, pois haviam muita comida no ônibus. Uma das estudantes, a saber, uma das mais adultas que, mesmo não aderindo à denominação "tia", era deste modo chamada, estava visivelmente preparada para aquela viagem. Trouxe consigo um verdadeiro estoque de comida. Desde um simples pão até um sanduíche completo havia no interior de sua caixa. Era comida suficiente para um batalhão de 50 homens.
Ao chegar no restaurante, todos estavam aflitos, pois, a julgar pela estirpe do local, a comida deveria custar muito caro.
Graças aos esforços dos presentes, o preço do self-service fora reduzido a todos os do ônibus, ficando, por cabeça, a R$ 20,00. Muitos alunos, ainda sem saber que este era o valor geral, abasteciam seus pratos moderadamente, objetivando gastar o mínimo possível. Quando o primeiro aluno pagou, os demais, que estavam na fila, retornaram às estufas de comida e encheram seus pratos a caráter nordestino, fazendo jus ao dinheiro pago.
Dois estudantes, a saber os dois lideres das instâncias das quais os alunos faziam parte, Grêmio e CRT, pareciam disputar entre si sobre quem comia mais. Seus pratos mais pareciam o Morro do Pão de Açúcar e o Monte Everest, respectivamente.
Depois de devidamente alimentados, todos voltaram ao ônibus, a fim de seguir viagem. Ainda havia muito a percorrer dali em diante.

CORAÇÃO INGRATO

Coração ingrato! Tanto que zelo pela tua qualidade e tu só me dá patadas. Desde cedo, me direciona a sentimentos falsos, cuja atuação me põe à dúvida. Uma dívida imensa tens comigo, pois seus correios, desde a tenra idade, têm flexado tudo nesta vida, menos a minha união. Uma coisa, simples, te peço: dá-me paz, dá-me vida; dá-me amor.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

REGÊNCIA

O amor é um presente do indicativo, pois o passado imperfeito do subjuntivo não está mais no imperativo. As subordinadas circunstâncias assindéticas estão repletas de pronomes relativos que põem em dúvida a veracidade do sentimento.
Ame!
Ame hoje e amanhã!
Ame sempre!

sexta-feira, 15 de abril de 2016

ODOR INDECIFRÁVEL

Dentro de mim exala algo
Cuja definição não sei explicar
Ora bom, ora ruim, ora a decifrar
É certo que isso me torna vago.

Já fui moço, fui adulto
Fui coloquial, fui culto
Hoje sou leigo na letra
Mais léxico que Pietra.

O odor que de mim sai
Não me deixa mais à paz
Tira-me o sossego: voraz

Não se há o que dizer
Não há o que defender
Posso com isso morrer.





quinta-feira, 17 de março de 2016

MINHA VIDA

Minha vida agora
É fazer-me vivente
Entre aqueles que morrem
Morrem pela disputa
pelas conquistas, pelos objetivos
Eu, no entanto, procuro
Procurar aquilo que quero
Sem, no entanto,
Debruçar-me por cima
De quem bem me quer.
Lamentável situação:
Hipocrisia ao extremo.
Lamentável situação.