quinta-feira, 14 de maio de 2015

"?"

Amor
O que ele é?
Ele existe, embora ninguém o veja
Uns não têm tempo de amar
Já outros amam demais
Há aqueles que fingem amar
Há, também, os que amam fingir
Ninguém ama o amor
O amor ama seus amantes
Eu amo, sou amado
Me amam - no plural
Me ama - singularmente
Não sei o que é
Defino-o como o sinto
Sem palavras
Existe mas não vejo
Não cheiro
Não toco
Não falo
Não como
Não bebo
Não cozinho
Nem tampouco vendo
Só o sinto.

PENSANDO EM VOCÊ

Quando o amor invade o meu ser
E toma o seu lugar
Logo penso e você
Imaginando como está
Por horas esqueço que te conheço
Ao passo que, deste modo, grafo tua biografia
Teus contornos, tuas belezas, teu sorriso, tua nobreza
Tudo isso ponho em livro
Para declarar que por ti vivo
E quando realmente te conhecer
Sinto que não poderei mais viver
Sem te ter aqui comigo.

terça-feira, 12 de maio de 2015

INCREDULIDADE

Mais difícil que encontrar o que não existe é não acreditar em sua inexistência.

POR QUE?

Por que não posso amar quem quero?
Por que o amor não nasce em outrem quando em nós nasce?
Por que ele existe no singular, se somos plural?
Hoje amo e não sou amado.
Talvez porque ainda não externei este amor.
Como externar algo dubitável?
O medo de a amizade descender é maior que a confiança desta ascender.
Vou viver sem amá-la, até que morra este amor em mim.
Ou, ainda, nasça nela este sentimento.
Para isso preciso falar.
Mas não posso: tenho medo de perdê-la.
Volto, portanto, à estaca zero.
Porque não posso amar quem quero.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

DEFERÊNCIA

Como deferir
Aquilo que não posso ter?
Se não posso ter
Não tentarei deferir
Quem defere não difere
Quem difere, defere
Não defenderei meus pensamentos
Pois não posso deferir
A diferença entre ela e ela
A primeira já se foi
A segunda não chegou
Mas, ainda, não posso deferi-la
Quero, mas não posso
Posso mas não quero
Deferir
Diferir

quarta-feira, 6 de maio de 2015

FORMAS

As formas
Os contornos
Todos com suas voltas
Volta a volta e contorna a forma
A forma forma
A volta forma um contorno
Tuas curvas, oh minh'amada
São curvas formadas de voltas
Não volto na forma da curva
Mas as tuas voltas são formosas
Teus cabelos - lindos - voltam
Teus olhos - negros - curvam
Tua boca - gostosa - beija
O beijo que forma uma curva
O sabor do contorno e do amor
Eu te amo
Sem voltas ou curvas.

AMOR E VIDA

Não vivo sem amar
Não amo sem viver
Como buscar o amor,
Se não o faço sem saber?

O amor não é físico, não é vívido
A vida, além de física, é abundante
Nunca deixo de viver enquanto vivo
Nunca deixo de amar enquanto amo

Como posso amar se não tenho amor?
Como não posso viver?
Sem amor não há vida.

Não vivo sem amar
Não amo sem vida
Não vivo sem amor.