sexta-feira, 19 de outubro de 2018

INDEFINIDOS

Solitário.
Triste.
Pensante.
São meses de dedicação exclusiva.
Ordens acatadas.
Favores feitos.
Ele fazia tudo por ela, tudo!
Ela, tradicionalmente, não retribuía.
Nunca retribuiu.
Eles não estavam no mesmo nível.
Ele amava mais.
Ela amava também, mas não tanto.
Brigavam constantemente; todos os dias.
Cada dia, uma briga, um bloqueio.
Nunca tinham paz por mais que horas.
Ela queria tudo do seu jeito.
Ele, contrariado, fazia - quando possível.
Um dia, ele abriu os olhos...
Enxergou a babaquice.
Não valia o esforço.
Ele ainda a amava.
Ainda a ama.
Mas, no cenário atual, para ele, não dá mais.
É inviável.
Já estava o afetando.
Ele chorava, gritava consigo mesmo, por dentro.
Se perguntava: será que ela realmente me ama?
Ele entendeu que aquilo, daquele jeito, não era amor.
Amor é respeito. Isso não existia de forma mútua.
Sempre pedia mudança a ela.
Ela, em devaneios, prometia mudança.
Nunca mudou.
Ele não aguentou.
Surtou.
Como última opção, ele pediu a ela uma foto, para ficar admirando, já que não tinha mais. Era, na verdade, um último pedido.
Ela, previsivelmente, negou.
Ele, sem prolixos, agradeceu e se foi.
Desde então, não se falaram mais.
Mas, a portas e janelas estão abertas.
Não romperam, só estão aguardando o contato inicial um do outro.
Quem ceder primeiro, salva o romance.
Ele, decidido, não pretende dar o início.
Ela, orgulhosa, não tem perspectiva de abertura.
É indefinida a continuidade. 
Não se sabe o que se há.
Há amor, isso é certo; uma verdade absoluta.
Mas, há orgulho, tristeza, decepção.
Se ninguém tomar as rédeas e se submeter,
Acaba tudo, da maneira mais infantil que se pode.
Mas, é a vida.
Começou, tem que terminar.
Nada é eterno.
Só resta chorar. 
Amar dói.

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